CORONAVÍRUS – REFLEXÕES PROVOCATIVAS E METAFÓRICAS

Coronavírus – Reflexões provocativas e metafóricas COVID19

Este texto, assim como as demais produções que faço, tem a intenção de socializar intuições, sentimentos, pensamentos e sensações que afloram na minha consciência, à medida que vou sendo afetado pela pluralidade e multiplicidade de estímulos internos e externos, associados aos meus estudos e experiencia clínica e da vida. Nessa dinâmica, algumas ideias que saem deste vaso alquímico me atravessam, e sei que elas não são exclusivamente minhas, porque nada pode ser só nosso. Na condição de analista junguiano, continuamente promovo o confronto antinômico, que equivale ao reconhecimento da polaridade e do contra ponto opositivo daquilo que imaginamos ser a realidade. Atuo continuamente alinhado com a lei dos opostos e valendo-me da ampliação analítica, metafórica e simbólica. Esse método, dialético e hermenêutico, visa estimular a crítica reflexiva e a ampliação da consciência, para que as pessoas possam se libertar das fixações nas imagos parentais, que são as influências trasngeracionais, e adquiram autonomia intelectual, espiritual, econômica, social, familiar, amorosa e profissional.

A meta é diminuir a autonomia da neurose e dos complexos, por meio do confronto do eu com o inconsciente, para que nenhuma forma de partidarismo cego, unilateralidades fundamentalistas, conservadorismos retrógrados e nefastos, egoísmo, medos, ressentimentos, raiva, ódio, fanatismos e obsessão pelo poder, permaneçam dominando o indivíduo, devido sua ignorância ou, caso ele saiba que existe nele o mundo sombrio e os complexos, hipocrisia. Desta forma, os artigos postados no site do IJEP não podem ser compreendidos de forma literal. Quem faz isso, principalmente quando se autoproclama analista junguiano, está sendo leviano e mal-intencionado. Porque, deveria saber que nosso objetivo, assim como foi o do Jung, é possibilitar narrativas analíticas, ampliando simbolicamente os temas, para que possam surgir insights e, consequentemente, a energia psíquica que estava represada possa voltar a fluir para a totalidade.

Nesta narrativa exponho temas contraditórios, ambíguos, efêmeros e incertos, e espero que o leitor não os receba como verdades absolutas. Minha intenção é refletirmos quanto que o bom humor e o amor são os melhores instrumentos para que o sistema imunológico fique saudável e eficiente contra os vírus reais, ou ideológicos e políticos, enquanto o medo, a raiva e o egoísmo são destrutivos. Também pretendo analisar, simbólica e metaforicamente, os possíveis benefícios evolutivos desta pandemia, que está fazendo com que as pessoas se distanciem corporalmente, mas se aproximem animicamente. Mas, para isso, precisam superar os mecanismos de defesa que produzem padrões reativos, muito bem descritos por Klüber-Ross, que percorrem atitudes de negação, revolta, barganha e depressão, até que um salto de consciência possa proporcionar a aceitação, para que aconteça a superação da crise.

Em contato com infectologistas e cientistas políticos ficou evidente que estamos vivenciando tempos sombrios, e o maior responsável, aparentemente, é a virulência de coisas ínfimas, desprezíveis e até insignificantes, que vão penetrando sorrateiramente nos corações, mentes e corpos, com forte potencial de contágio e capazes de produzirem estragos irreparáveis. Tanto as ideias unilaterais e absolutistas quanto os vírus agem de forma igual. No primeiro momento parecem insignificantes, até acreditamos que não passam de arroubos emocionais, de um indivíduo autêntico e transparente com suas emoções, ou que é uma simples gripezinha. Em ambos os casos, dos vírus psíquicos ou proteicos, os mecanismos de negação possibilitam acreditarmos que, se complicar, tomamos atitudes legais para afastarmos o mal, ou usaremos remédios e exterminamos o inimigo biológico. Só que isso não funcionou nem com a febre espanhola, que começou no USA e matou 100 milhões de pessoas há cem anos, e nem com o nazismo, que matou 85 milhões há 80 anos. Ambas “pestes” começaram devagar e sorrateiramente, invadindo corpos, mentes e corações, até tornaram-se tragédias de grandes proporções.

Recentemente li esta frase proferida pelo secretário de saúde dos USA, tentando sensibilizar políticos irresponsáveis para o risco do COVID-19: “Tudo o que dissermos antes de uma pandemia vai parecer alarmista. Tudo o que fizermos depois vai parecer insuficiente.” Essa afirmação exige reflexão, humildade e, acima de tudo, cooperação entre toda humanidade, com trocas de informações, tecnologias, solidariedade e desapego material. Pena que a afirmação de Hegel de que “a história nos ensina que a história não nos ensina nada” é verdadeira e, mais uma vez, estamos as voltas com lideranças que pensam exclusivamente no capital, tratando os seres humanos como bens de produção, potencializando as consequências nefastas deste contínuo abuso que gera desequilíbrio ambiental e social, possibilitando o surgimento e a proliferação exponencial desta peste que nos atinge agora e, apesar de alguns idiotas “pregarem” o contrário, exige que a humanidade fique reclusa e isolada em seus lares.

Para que esta situação de isolamento seja superada sabemos que será necessário que mais de 70% da população seja contaminada, curada e, consequentemente, imunizada ao novo coronavírus. Isso se esse vírus não se comportar como a maioria dos nossos políticos, que sofrem mutações ideológicas e comportamentais. Óbvio que ninguém quer ser contaminado. Mas, se não for contaminado não adquirirá imunidade e ficará refém do vírus. Porém, como fomos “educados” para competir, ganhar, acumular, obter vantagens e benefícios, torcemos para que os outros sejam contaminados e, se tiverem sorte, curados, nos livrando desse mal. Também sabemos que essa contaminação, para não sobrecarregar o sistema saúde de alta complexidade, que no Brasil e em grande parte do mundo é insuficiente e incapaz de atender muitas pessoas simultaneamente, a contaminação com o COVID-19 precisa ser diluída nestes próximos 90 dias. Com isso, também fica meio que implícito que até meados de julho/20 ficaremos nesta operação de distanciamento social.

Parece que um possível ganho secundário desta crise é que estão surgindo atitudes de alteridade, do calor amoroso da aproximação das almas, apesar do afastamento dos corpos e, acima de tudo, para o resgate da capacidade do amor altruísta e a luta revolucionária, que começou com o advento de Jesus Cristo, para que todos os humanos, independente de credo, etnias, cor, gênero, orientação sexual ou condição sócio econômica, seja tratado amorosamente, com igualdade, liberdade e fraternidade, transcendendo as diferenças e servindo a alma. Isso é o que Carl Jung chama de estar consciente e atuante no processo de individuação. Mas, para que essa ampliação simbólica aconteça, as pessoas necessitam compreender que aprender palavras podem deixá-las possuídas por conceitos! Quanto menos profundidade e compreensão da complexidade dos fatos e da vida, mais defesa intelectual, conceitos e definições unilaterais. Infelizmente, essa atitude só serve para afastar as pessoas de si mesmas e, consequentemente, de suas almas, aprisionadas em suas personas conceituais, deixando-as dependentes das instituições produtoras dos conceitos e projetando seus aspectos sombrios num outro qualquer!

A pandemia é global e não importa onde começou, porque sua capacidade de contágio e disseminação em todos os cantos do planeta servem para compreendermos que não existem muros para conter a força da natureza. Acredito que a direção retrógrada que algumas lideranças está tomando, segregando e instalando muros, apostando neste neoliberalismo que, sabidamente, produz mais sectarismos, exclusão, desigualdade, preconceitos, obsessão pela riqueza material, prazeres efêmeros, egoístas e individualistas, valorizando apenas a racionalidade apolínea, com o advento desta peste, vai ter de ser reconsiderada. Afinal das contas, essa é a função secundária das crises, possibilitar um salto evolutivo na humanidade. Por isso, o prefixo “cri” significa ruptura e mudança. Não é por acaso que está nas palavras Cristo, criança, criatividade e crime.

“A humanidade experimentou inúmeras vezes, tanto individualmente quanto como coletividade, que a consciência individual significa separação e inimizade. No indivíduo, o tempo de dissociação é tempo de doença, o mesmo acontecendo na vida dos povos. Não podemos negar que a nossa época é um tempo de dissociação e doença. As condições políticas e sociais, a fragmentação religiosa e filosófica, a arte e psicologia modernas, tudo dá a entender a mesma coisa...A palavra crise também é expressão médica que sempre designa um clímax perigoso da doença...Com a tomada da consciência, o germe da doença da dissociação plantou-se no espírito da humanidade, sendo o maior bem e o maior mal ao nosso tempo.”   JUNG, C. G. Civilização em Transição § 290.

Estudos da psicossomática, na abordagem da psicologia analítica, nos ensina que os sintomas, assim como os sonhos, os eventos de sincronicidade e as produções criativas são manifestações que possibilitam compensação da relação do eu com o inconsciente, ampliação da consciência, autoconhecimento, aprendizado e até antevisão do que está por vir. Por isso sempre afirmo que os sintomas são expressões simbólicas que, de forma violenta, violam e revelam os conflitos do amor próprio. Essas são as razões que nos faz ampliar simbolicamente o sintoma, questionando quando aconteceu, onde aconteceu, que órgão ou sistema está prejudicando, o que você passou a fazer e ou deixou de fazer depois do seu advento, entre outas perguntas que servem para ampliar a consciência e, quem sabe, permitir que a energia psíquica que estava represada volte a circular. Devemos fazer isso tanto com os sintomas individuais quanto com os coletivos, como as “pestes” biológicas ou psíquicas que humanidade vivenciou. Historicamente, sabemos que grandes crises coletivas produziram grandes evoluções. Nos últimos dois séculos tivemos, psiquiatricamente, a histeria que possibilitou o início da inclusão da mulher, a esquizofrenia a relatividade e a depressão o retorno do sagrado.

Agora, no início da década de 2010, a primeira peste que começou assolar a humanidade é a do conservadorismo retrógrado e nefasto, disfarçada de neoliberalismo capitalista, gerando mais exclusão, desigualdade e desumanidade. Ela acometeu muitas pessoas por não possuírem imunidade para ilusão de poder, segurança e certeza absolutista do discurso unilateralista, nacionalista e materialista do fascismo. Óbvio que muitos simpatizantes deste sistema são oprimidos que, iludidamente, se sentem numa condição melhor na escala social e agora sonham em serem opressores, como nosso saudoso Paulo Freire ensinou, deixando evidente o surgimento dos capitães do mato, na época da escravidão e, infelizmente, alguns permanecem ativos e até galgam poder, sem terem consciência de que estão a serviço, única e exclusivamente, das minorias dominantes da “casa grande”.

Neste momento, surge o segundo golpe na humanidade contemporânea, o Corona Vírus. Como tenho formação homeopática, acredito que o semelhante é que cura o semelhante e, quem sabe, com essa pandemia, a humanidade consiga restaurar sua imunologia emocional, abrindo mão da ilusão do poder, recuperando nosso bem maior que é o amor, único caminho para restaurar nosso sistema imunológico, para aprendermos a nos defender tanto dos fascistas quanto do COVID-19 e, obviamente, nos livrar da nossa  virulência territorialista, sectária, excludente e gananciosa. Porque, nada acontece ao acaso, o Self tem primazia sobre o Ego e, óbvio que tudo ainda de forma incipiente e, infelizmente, unilateral e muitas vezes fanáticas, o benefício da crise ainda está inviabilizado.

Ampliando simbolicamente esta pandemia, temos algumas provocações importantes: Por que será que ela é mais fatal para 70% dos homens acima dos 60 anos e as crianças raramente complicam, mas são transmissores em potencial? Por que o vírus ataca, preponderantemente os pulmões e esses, psicossomaticamente, junto com a pele, são responsáveis pela manutenção da vida devido sua função de trocar: dar, receber, retribuir? Será que o medo ou a dificuldade de trocar, de forma harmoniosa e igualitária, está produzindo este sintoma? Por que será que o vírus tem uma camada de gordura e justamente isso é sua vulnerabilidade, destruindo-o com sabão, enquanto 30% da humanidade não tem nenhuma camada gorda para sua proteção, porque estão abaixo da linha de pobreza? Não é interessante que a forma deste vírus é esférica, como os corpos celestes, numa época retrógrada onde alguns até consideram a Terra ser plana? O nome dado ao vírus representa coroa, qual reino ele representa? Sua primeira manifestação foi na cidade que vai implantar primeiramente a tecnologia 5G, será que isso é puro acaso? Existe puro acaso? Por que estamos tendo que temer coisas ínfimas e toda tecnologia atômica de destruição em massa não serve para nada? Porque temos que, ritualisticamente, fazer contínuas ablusões, com a lavagem das mãos? O que temos que, alquimicamente, aprender com a solucio? Por que depois do confinamento, o número de pedido de divórcios na China surpreendeu e agora, no Brasil, durante a quarentena, a violência contra a mulher aumentou? Por que não ligamos para a praga de gafanhotos que está, neste momento, arrasando o continente africano e o novo corona vírus nos interessou muito antes de chegar aqui? Será que temos que voltar para a caverna e reaprender com Platão? Qual é a divindade, parafraseando Jung, que está por trás desta manifestação de Pã?

“Os deuses tornaram-se doenças. Não procuramos mais os Deuses no Olimpo, nem nos antigos cultos, templos ou estátuas do passado, nem mesmo em seus dramas e narrativas míticas. Em vez disso, os Deuses aparecem em nossas desordens, particulares é claro, mas também públicas.”  JUNG, C.G. in HILLMAN, J. Cidade e Alma, pg. 66.

Parece que esta pandemia está possibilitando questionarmos o patriarcado que, infelizmente, estava retroagindo para os padrões das regras abraâmicas do antigo testamento. Precisamos repensar que mundo vamos deixar para nossas crianças, que viraram risco de vida para os homens que estão no poder. Acredito que também precisamos repensar as religiões e compreendermos que Deus está dentro de nós e não precisamos de nenhum intermediário para nos aproximar dele. Óbvio que a relação comunitária é importante, mas não da forma que alguns grupos religiosos estão atuando, totalmente voltados para a riqueza material e cobrança de serviços de despachante da relação do fiel com o sagrado. Precisamos deixar a ilusão de vencer o outro e acreditar que iremos vencer juntos, esse é um dos ganhos que essa crise pode estar dando.

As sete leis da tábua e esmeraldas, estão amplamente validadas neste cenário de crise! O Princípio de Mentalismo, da Correspondência, da Vibração, da Causa e Efeito, da Polaridade, do Ritmo e do Gênero para que aconteça a Transmutação Mental. O salto de consciência tão necessário para nos salvarmos do planeta e aprendermos amarmos uns aos outros. A crise é uma espécie de enantiodromia, onde o pêndulo está possibilitando refletirmos que de nada adianta o suntuoso e ostensivo arsenal bélico das grandes potencias, com suas ogivas nucleares, misseis, caças, submarinos e a infinidade de equipamentos, armas e investimentos que, com apenas 30% do montante gasto, resolveria o problema mundial da fome, da falta de saneamento, de educação e saúde, promovendo inclusão, igualdade, fraternidade e, consequentemente, liberdade. Essa mudança geopolítica exigiria, cada vez menos, armas de defesa territorial, e possibilitaria mais ciência cooperativa e global para nos proteger das coisas microscópicas e de nós mesmos!

Acredito que depois desta tempestade, vamos sair da forma que nos vemos, e que vemos o mundo, para vermos ambos de forma diferente - nós e o mundo, de modo mais plural e diverso, longe da normose do consumo, da competição e do egoísmo, repensando o patriarcado, para que o dinamismo da alteridade venha à tona. Porque, quando superarmos o dinamismo patriarcal, ingressaremos na prática da alteridade, onde a hierarquia será entrelaçada. Assim poderemos compreender que em todas as relações existirão assimetrias, porque, numa mesma relação, em determinados aspectos você pode ser superior e, em outros, inferior, independentemente de gênero. Bem diferente do machismo patológico, onde a superioridade do masculino, diante do feminino, tem que ser absoluta! 

A pandemia também está revelando que existem bens e serviços que devem ficar por conta do Estado, como saúde, educação e segurança, e que aquilo que chamávamos de normalidade é que era o problema. Por isso, a acumulação ilimitada, a competição, o individualismo, a indiferença com a miséria de milhões de excluídos, a fantasia do Estado mínimo e a exaltação do lema de Wallstreet: “greed is good” - a cobiça é boa, não tem o menor sentido. Vamos aprender, a duras penas, que existe uma interdependência de todos com todos e que pertencemos a Gaia e que, se não cuidarmos dela, coisas piores virão. Aliás, sem educação de qualidade, ampliação de consciência, autoconhecimento e crítica reflexiva, a Bíblia vira instrumento do diabo ou destes líderes manipuladores, que só querem explorar e tirar dinheiro do povo! Assim como, conhecimentos filosóficos podem virar instrumentos de manipulação nazista, fascista, imperialista ou comunista. A humanidade necessita de mais Jesus nos corações e mentes e menos memes dos falsos profetas.

“O homem perdeu o temor de Deus e pensa que tudo pode ser julgado de acordo com medidas humanas. Esta hybris, que corresponde a uma estreiteza de consciência, é o caminho mais curto para o asilo de loucos... Abandonamos, no entanto, apenas os espectros verbais, não os fatos psíquicos responsáveis pelo nascimento dos deuses. Ainda estamos tão possuídos pelos conteúdos psíquicos autônomos, como se estes fossem deuses. Atualmente eles são chamados: fobias, obsessões, e assim por diante; numa palavra, sintomas neuróticos. Os deuses tornaram-se doenças. Zeus não governa mais o Olimpo, mas o plexo solar e produz espécimes curiosos que visitam o consultório médico; também perturba os miolos dos políticos e jornalistas, que desencadeiam pelo mundo verdadeiras epidemias psíquicas.” JUNG. C. G. e WILHELM. R. O Segredo da Flor de Ouro pg. 50.

Levar a sério a realidade da alma por meio da relação com o mundo dos espíritos e das imagens, que expressam infinitamente mais do que a linguagem falada ou escrita, é o maior desafio da humanidade neste momento onde as tecnologias da informação e da computação estão prestes em introduzir, na realidade cotidiana, a inteligência artificial e a robótica. É do confronto dialético da consciência com o inconsciente que surgem possibilidades integrativas apontando, tanto para o autoconhecimento quanto para o reconhecimento da alma, para que o homem total possa emergir. A soma dos avanços tecnológicos eletromagnéticos, químicos e biológicos, desarmonizando o meio ambiente e a vida como um todo, podem produzir aberrações bacterianas, virais e fúngicas que associadas a 8 bilhões de seres vivos irão exaurir os recursos naturais, poluindo e contribuindo para o aquecimento do planeta.

Essa crise evidencia a falta de políticos com ideologias sérias, éticas e, preferencialmente, democráticos e parlamentaristas, para evitar que um inepto e demente se instale de forma absolutista ou imperialista no poder. Porque, sabemos que o poder afugenta o amor e inebria, direita ou esquerda! A necessidade de instrumentos para evitar que o fascínio pelo poder, pela fama e pelo prazer, neste caso de ver a morte do outro, desvirtuem os valores éticos e ideológicos dos políticos - não podemos esquecer das três tentações de Cristo. Por isso, essa peste antropogênica é um incomodo ao negacionistas, que desqualificam e até querem destruir a ciência, porque estão abduzidos por convicções extremistas, somadas com avareza, egoísmo e ignorância. Assim como é incomodo para as grandes fortunas, protegidas em seus bunkers assépticos e com seus respiradores garantidos, estimulando que a massa trabalhadora, apesar do contágio e risco fatal, trabalhe, enquanto eles contabilizam mortes e lucros. Para resolvermos esse impasse entre saúde e economia basta pegarmos 10% da fortuna de 20% das maiores riquezas e esse paradoxo se resolve. Além disso, como todos estamos no mesmo barco, quem sabe uma nova ordem econômica venha acontecer, onde a igualdade, com distribuição de conhecimento, saúde, segurança e renda seja praticada de fato. 

Educação afetiva emocional é cada vez mais importante e necessária para a saúde do indivíduo e da sociedade. Não adianta nada saber das coisas sem saber de si mesmo, agindo reativamente aos afetos, constantemente possuído por complexos em busca da sobrevivência ou manutenção da vida, na maioria das vezes, sem significado, sentido ou entusiasmo. Como não existe nada absoluto, nem o mal, o novo coronavírus surge neste momento que a humanidade está tensionada de um lado, pela dinâmica dos fundamentalismos e fanatismos religiosos e, do outro lado, pela dinâmica econômica do capitalismo neoliberal valorizando apenas a matéria. Neste caso, como terceiro elemento, destrutivo/criativo, surge esta manifestação virulenta, podendo despertar a consciência de Cristo do amor altruísta, ou gerar mais destruição de todos contra todos. 

Cristo, o Self Cósmico, pode ter possibilitado essa manifestação trágica, como crise criativa para que a dicotomia unilateral entre as religiões, que desejam manter a humanidade regredida numa condição mágica e paradisíaca, antes da tomada de consciência da queda do paraíso, da nostálgica experiência da confiança primordial. E o materialismo, cumulativo e rentista, que quer transformar a humanidade em bens de produção, como máquinas e autômatos para possibilitar apenas lucros e acúmulo para manter os dominantes no poder, como sempre aconteceu, desde as épocas onde a maioria dos Estados eram religiosos. O mais surpreendente, é que ambas dinâmicas se juntaram, mesmo neste momento que imaginamos que a maioria dos Estados é laica. Provavelmente porque os dominantes sabem que, evolutivamente, o ciclo da alteridade, que é o da revolução Aquariana, anunciado por Cristo há 2 mil anos, está se aproximando.

Enfim, acredito e desejo que esta crise sirva para revermos a economia global, a exclusão, a desigualdade, os muros, as armas bélicas, a competição, a ganância, as ditaduras, o imperialismo, o negacionismo, o populismo, o fascismo, o nazismo, o fanatismo, as unilateralidades e todos os resquícios retrógrados deste patriarcado hierarquizante e androcêntrico, que agora amedrontado e agonizando, para que o dinamismo da alteridade se instale e impere na humanidade, despertando cooperação, amorosidade, liberdade, igualdade, fraternidade e altruísmo.

29 de março de 2020

Paz e Bem, graças ao reconhecimento e aceitação consciente da Guerra e do Mal que habitam em nós!

Recentemente fiz dois vídeos que abordam esse tema. Eles estão publicados no Canal do YouTube do IJEP, nestes links:

Quarentena, depressão e solitude solidária:
https://youtu.be/0U20Q5GcK5s

Coronavírus e sua função evolutiva: https://youtu.be/sJ2CW6l2-ME 

IJEP Live #1 - Coronavírus - Reflexões Provocativas e Metafóricas: https://youtu.be/Zu9Vde9rE80

 

WALDEMAR MAGALDI FILHO. Psicólogo, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática, Arteterapia e Homeopatia. Mestre e doutor em Ciências da Religião. Autor do livro: "Dinheiro, Saúde e Sagrado", Ed. Eleva Cultural, coordenador dos cursos de especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática, Arteterapia e Expressões Criativas do IJEP - Instituto junguiano de Ensino e Pesquisa (www.ijep.com.br), oferecidos em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.


WALDEMAR MAGALDI FILHO - 29/03/2020