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Complexos, Arquétipos e a Família

 

No conceito clássico de família tradicional, o casamento era visto como uma instituição indissolúvel. Nos últimos 50 anos, no Ocidente, houve uma mudança no modelo de família, modificou-se as suas dimensões, organizou-se de diversas formas e ainda assumiu novos valores.

A vida em família é uma eterna "negociação". Seja qual for o seu tipo, há um objetivo comum, o de constituir uma família mais funcional e harmoniosa possível, onde existe amor, respeito e partilha.

À mãe, geralmente, atribui-se a ideia mítica de ideal de amor e afeição. Apesar do crescente questionamento sobre o amor materno incondicional e inato, a visão da mãe ideal, responsável pelo bem-estar psicológico e emocional da família ainda é bastante presente na literatura e no senso comum.

Desde esta perspectiva, pode-se avaliar, com maior propriedade, a necessidade de revisar os papéis que tradicionalmente as mulheres vêm assumindo na família assim como redefinir o funcionamento familiar frente a um novo contexto social. De outra forma, estaremos condenados a repetir indefinidamente padrões de interação empobrecedores de relações familiares que poderiam ser mais criativas e saudáveis.

Nesse aspecto, o estudo do Complexo Materno é ponto de extrema importância dentro da Psicologia Analítica para se compreender não só a dinâmica familiar e seus inúmeros conflitos, como e principalmente sua determinancia na formação de toda personalidade.

Jung constrói sua ideia de arquétipo como uma estrutura psíquica. Em 1919 introduziu o conceito de arquétipo, aludindo a ideia de que as imagens primordiais humanas são transmitidas ou herdadas. Em seus escritos, caracteriza os arquétipos como "sistemas vivos de reação e prontidão que, por via invisível e, por isso mais eficiente ainda, determina a vida individual" (JUNG, 2012b, §173).


O arquétipo é um conceito formal, um arcabouço, preenchido com ideias, temas e vivências. A forma do arquétipo é herdada, mas o conteúdo é sempre determinado pela experiência pessoal do indivíduo. É importante, também, salientar que, em suas polaridades, todos os arquétipos contêm, em si, um aspecto sadio e um patológico (JUNG, IX-1, 2012, p.217).


Arquétipo da Grande Mãe - A Psicologia Analítica tem por base a análise estrutural de um determinado arquétipo, observando sua constituição, dinâmica e o conjunto de símbolos que o compõe. Um arquétipo é uma imagem interna que opera na psique humana.


O caráter elementar do feminino é a tendência a conservar em si o que gerou, portanto, num eterno pertencer e mantê-lo assim próximo. É típico do matriarcado, ou seja, quando o ego e a consciência ainda estiverem indiscriminados do inconsciente, isto é, este é ainda dominante. Ele é a base dos aspectos conservados, estável e imutável do feminino que é a característica maternal.


O caráter elementar pode se manifestar de modo positivo, Mãe Bondosa, (provedor de proteção, calor, alimento) ou negativo, Mãe Terrível, (repúdio, privação). "A Grande Mãe não é apenas provedora de vida, mas aquela que promove a morte. Ela pode dar amor como suprimi-lo para demonstrar seu poder".(NEUMANN, 2006, pg. 67).


Assim como os arquétipos, os símbolos também apresentam, em seus extremos, aspectos duais, positivos e negativos. Dessa forma, são atribuídas ao Arquétipo da Mãe características tanto de acolhimento, cuidado, sabedoria e suporte, como aterrorizantes, obscuras, devoradoras e advindas do mundo dos mortos.


Na figura da mãe, a imagem varia conforme a experiência individual, onde a predominância, aparentemente, parece ser a da mãe pessoal. Não obstante, é do arquétipo projetado na mãe pessoal que surgem os efeitos positivos ou negativos que se refletem nesta. Assim, os eventos traumáticos, marcados no indivíduo, dão-se muito mais pelas projeções arquetípicas do que pela relação estabelecida com a mãe real, uma vez que as fantasias, frequentemente superam a ação desta (JUNG, IX-1, pg.89).


O conceito de complexo é um dos conceitos centrais da psicologia de Jung, está em relação direta com o desenvolvimento de uma pessoa. Segundo Jung, os complexos têm um núcleo arquetípico, ou seja, eles se formam no ponto em que aborda algo indispensável à vida.


Essa definição sugere que os complexos surgem da interação do bebe, da criança, com as pessoas de seu relacionamento. E a primeira infância é naturalmente uma situação marcante, especialmente sensível para o surgimento dos complexos; contudo, eles podem surgir a qualquer momento enquanto vivemos. O desligamento do complexo é possível através da identificação e conscientização dos complexos e suas marcas, esse desligamento é necessário para nos tornarmos pessoas mais independentes e mais capazes de estabelecer vínculos.


Em relação aos seus efeitos, Jung, esclarece que o Arquétipo Materno é a base para o Complexo Materno e que a mãe está ativamente presente na origem da perturbação. O complexo materno ocorre tanto no filho quanto na filha, entretanto, seus efeitos aparecem de modo diverso quando se manifestam em um e em outro. (JUNG, 2012, pg 161-2).


Jung sustenta a idéia de que o fator de maior importância, a exercer influência sobre o caráter da criança, é "a atitude emocional, pessoal e inconsciente dos pais e educadores" (O.C., 1977, § 1007). Assim, pode-se perceber que no comportamento humano são transportados, ou levados em conjunto, fortes influências do meio familiar. E, se grande parte da vida de uma pessoa é moldada pelo influxo do meio, então o livre arbítrio é relativo e estreito, pelo menos enquanto prepondera a atitude inconsciente.


Jung sugere que a personalidade se desenvolve a partir da necessidade, seja pela coação de acontecimentos internos ou externos. É sabido que, pela necessidade de aceitação que a criança tem, sua principal tarefa durante a infância é a adaptação às exigências familiares. (JUNG, 2012.c) .


Se há algo a que podemos nos referir como universal é a família. Em qualquer civilização, em toda a classe social, há uma referência importante feita, pelo indivíduo, à família. Seja de forma positiva ou negativa, todo o ser humano carrega uma idéia de referência sobre sua família. O pai herói ou o pai carrasco, a mãe boa ou a mãe terrível, povoam a psique, o imaginário e as emoções humanas. As idealizações e as fantasias são peculiares ao homem. No decorrer da vida existem oscilações entre a idealização dos pais e a decepção com eles e, na relação com os pais estão envolvidos, além dos reais, os pais arquetípicos que produzem consideráveis efeitos emocionais no sujeito.


Assim, entendemos que a responsabilidade recai sobre cada indivíduo em relação à construção de uma existência com sentido. Quando há fidelidade à alma, a personalidade desabrocha e, com ela, o sentido colore de nuances singulares a vida humana. Nesse estágio, já não é mais necessário que outras pessoas sejam usadas como alvo de projeções, nem que os filhos se encarreguem de completar o que os pais deixaram inacabado.


Na psicologia de Jung a família surge como o grupo primário de onde emerge a individualidade de cada membro, a qual se desenvolve na medida em que o indivíduo atua na sociedade com a qual está intimamente vinculado. A meta de cada indivíduo, membro dessa família, é individuar-se.


A família é a matriz de um sistema em constantes transformações.  Transformações esperadas, aquelas que fazem parte da história e dos ciclos de vida, sejam infantis, adolescentes, adultos ou idosos no contexto familiar. Transformações inesperadas, aquelas que vem carregadas de núcleos emocionais ligados às perdas, às separações, traições de vínculos afetivos, mudanças geográficas e diferentes conflitos inerentes a essas e outras mudanças.


Ocorre que a família passou por mudanças consideráveis, porém cada um de seus membros, mesmo que de forma diferente, ainda exerce papel fundamental e estruturante, ficando cada vez mais evidente e necessária a atuação de ambos os pais e cuidadores na educação e criação dos filhos.


Desta feita, é altamente necessário para qualquer ser humano ter uma família, pois é nesse meio que se terá os primeiros contatos com a vida em sociedade, que se exteriorizarão as emoções e aprender-se-á sobre a vida. A base de tudo é a família e nesta deve repousar qualquer linha primeira de ação.


Rita Ap. P. Carrer - Membro Analista em formação pelo IJEP.

Rua Moraes Barros, 2038 - Bairro Alto - Piracicaba - SP

(19) 3426-0408 / 2537-3696


 

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