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JUNG ASTRÓLOGO?

 

JUNG ASTRÓLOGO?   Parte 1

Durante o processo terapêutico analítico, o principal objetivo é que fique cada vez mais claro para o indivíduo, a qualidade com que as diversas estruturas complexas (Persona, Sombra, Anima/Animus, máscara, sincronicidade, dissociações, complexos, motivações) se manifestam e são representadas, e o modo como interagem mutuamente em um sistema interdependente, que em sua totalidade constitui a psique deste indivíduo.

A Astrologia  é um instrumento que possibilita a descrição direta ao consciente, de um modo objetivo, da qualidade com que cada uma destas dimensões constitutivas do ser humano estão representadas. É um instrumento que através de uma linguagem objetiva, procura comunicar ao consciente como se dá o jogo de forças que constituem subjetivamente um indivíduo.   Jung (2000) observa que a melhor forma de superar a distinção da relação consciente/inconsciente está no diálogo entre os dois, buscando o si-mesmo, como um sujeito completo. Essa possibilidade só pode ocorrer na investigação e na percepção do lado inconsciente, através dos símbolos e arquétipos manifestados no consciente. Jung nomeou esta dinâmica de integração, de processo de individuação construído através deste diálogo.

A linguagem astrológica é basicamente mítica e simbólica, propiciando processos subjetivos em narrativas reveladoras dos vários conteúdos da psique. A vida simbólica expressa na mandala, que é o mapa natal, propicia a abertura da porta para o mistério do ser humano. Os símbolos únicos contidos nesta mandala, descrevem as funções psicológicas primárias de cada indivíduo.


 Em algumas narrativas, a presença ou a alusão a figuras míticas, cujo significado simbólico está no inconsciente coletivo, pode ser a ponte para revelar os complexos processos da subjetividade humana.  Ela pode revelar através de seus símbolos e significados, a trajetória do processo potencial de individuação, da busca de si mesmo, os conflitos interiores e sua compreensão do sentido da vida e do "vir a ser". O imaginário  é constituído pelas imagens que surgem espontaneamente na nossa vida interior, ou imagens que encontramos no mundo que são de alguma forma significativos ou provocativos para nós.


Os símbolos podem normalmente ser expressos através de imagens, mas também através de qualquer coisa que tenha a capacidade de evocar uma resposta emotiva. Em outras palavras, o valor simbólico da imagem ou objeto tem a capacidade de provocar, suscitar a paixão, instilar o medo  ou estimular outras emoções, sem uma certeza por que isso ocorre. A ideia é que, apesar de certos sentimentos e associações serem expressas em resposta ao símbolo, a relação com ela não se esgota. Isto é porque esta relação é mais profunda do que a que pode ser articulada conscientemente.


 Não precisam ser apenas imagens. Por exemplo, a música tem uma ressonância simbólica forte. Uma pessoa pode ser emocionalmente estimulada ou movida por uma música . Geralmente associamos à uma sensação,  uma música que pode ser alegre ou triste, mas sem necessariamente sabermos porque aquela música em particular tem o efeito emotivo que  provoca. Dança e outras formas de expressão artistica têm também ressonância simbólica. Por que é que uma pessoa ama um determinado   estilo de roupa, música ou um local?


Há um conjunto de associações que  têm um significado particular e específico para o indivíduo e por essa razão ele transcende todas as demais coisas que se lhe assemelham. Uma característica fundamental de um tal símbolo é que ele não pode ser exaustivamente descrito. Ela tem um significado que não só está consciente, mas também inconsciente. Um princípio básico na discussão sobre os símbolos é que ele contém um significado que é sentido e que é experimentado emocionalmente, ainda que não possa ter seu significado totalmente articulado.


Em termos psicológicos  expressa algo que não é únicamente consciente, mas algo que é inconsciente. Os símbolos são importantes  na psicologia junguiana, porque eles oferecem uma maneira de construir uma ponte para o inconsciente. Eles são a linguagem do inconsciente, e trazem para nós algo a mais que enriquece  aquilo  de que temos consciencia. O simbolo amplia o conteudo consciente.


A consciência pode ser percebida como um presente enorme. Sociedade e civilização
não existiriam sem consciência. No entanto, há algo estéril sobre a consciência. O suposto completo auto-conhecimento pode conduzir a um ponto em que uma pessoa
poderia ter a sensação de ter-se esgotado. Pode conduzir a uma calcificação, uma estagnação, o sentimento de ser incapaz de transcender um determinado estado de existência, de ser incapaz de ir além de frustrações mentais ou dores ou feridas que se tem.


O significado atribuido ao símbolo não emerge da literalidade. Não é o veículo ou trabalho que tem um significado inerente. Essas coisas tornam-se significativas porque  tornaram-se símbolos pela maneira que eles são experienciados.

Em sua discussão dos complexos, Carl Jung fez uma distinção importante entre os arquétipos que constituem os blocos básicos da psique e a rede de associações pessoais que os rodeiam. Um arquétipo forma o núcleo de um complexo, e nossas associações pessoais formam o arcabouço que circunda esses núcleos.


 O mapa natal se afigura como uma ferramenta simbólica, muito como um sonho, ou um desenho de mandala. A autoridade final sobre um seu conteúdo é do paciente. O analista e o analisando procuram colaborativamente encontrar o significado nos símbolos.  E é a capacidade do astrólogo para conectar as experiências cotidianas do cliente à esta linguagem simbólica de uma maneira significativa, que permite os desdobramentos da alma no processo terapêutico.


Jung pensou em arquétipos como constituintes básicos da psique humana, autóctones, compartilhados de forma Inter cultural por todos os seres humanos; e expressões universais de um inconsciente coletivo.  Os arquétipos conferem sentido e significado à vida psíquica, são herança espiritual e estão presentes no inconsciente coletivo como estruturas que revelam experiências humanas individuais e coletivas


Ao que Richard Tarnas acrescenta: " Muito antes, a tradição platônica considerava arquétipos como expressão não só psicológica, mas também cósmica e objetiva; como formas primordiais de uma Mente Universal que transcendia a psique humana.

A Astrologia parece se apoiar na visão platônica, bem como na Junguiana, uma vez que dá provas de que os arquétipos Junguianos não só são visíveis na psicologia humana, na experiência humana e comportamento, mas são também ligados ao próprio macrocosmo -  os planetas e seus movimentos nos céus. Astrologia apoia, assim, a ideia antiga de um Anima Mundi, ou alma do mundo, em que a psique humana participa. A partir desta perspectiva, o que Jung chamou o coletivo inconsciente pode ser visto como sendo em última análise, embutidos dentro do próprio cosmos. "


Um símbolo arquetípico central na astrologia é o círculo do horóscopo. Em todas as culturas o círculo é considerado um símbolo da totalidade. Da mesma forma o horóscopo representa a totalidade do indivíduo e o arquétipo do "Self".

A Cruz contida em seu interior, expressa a ligação do macrocosmo com o microcosmo (linha vertical) e a linha horizontal, a experiência humana em seu tempo de permanência nesta dimensão.


Segundo o dicionário de Símbolos de Jean Chevalier, uma das interpretações da cruz é ... " de síntese e de medida. Nela se juntam o céu e a terra.... Nela se confundem o tempo e o espaço. Ela é o cordão umbilical jamais cortado, do cosmo ligado ao centro original. De todos os símbolos, ela é o mais universal, o mais totalizante. Ela é o símbolo. Ela é o símbolo do intermediário, do mediador, daquele que é, por natureza, reunião permanente do universo e comunicação terra e céu, de cima para baixo, e de baixo para cima". (CHAS 31-32)

Na simbologia celta a cruz é contida num círculo e tem um círculo na intersecção dos dois braços transversais. A correspondência quaternária ilustra a repartição dos quatro elementos: ar, terra, fogo, água e suas qualidades tradicionais: quente, seco, úmido e frio. (CHEVALIER, Jean - Dicionário de símbolos p. 313).


JUNG ASTRÓLOGO?   Parte 2

Em seus textos Jung faz várias alusões à Astrologia e muito se tem perguntado qual era seu envolvimento com esse saber?  Como parte do trabalho de desenvolvimento de minha dissertação para a pós-graduação em Psicologia Junguiana pelo IJEP, desenvolvi pesquisa levantando textos que pudessem indicar não só o início de seu envolvimento com a Astrologia, como também o domínio de seu conteúdo e profundidade; tratando-se aqui de uma revisão bibliográfica.

Afinal, era Jung Astrólogo?

A primeira alusão que identifiquei foi uma carta de Jung a Freud em maio de 1911

" No momento incursiono pela Astrologia, que se revela indispensável para a perfeita compreensão da mitologia. Há coisas realmente maravilhosas e estranhas nesses domínios obscuros. As plagas são infinitas, mas não se preocupe, por favor, com minhas erráticas explorações.  Hei de, em meu regresso, trazer um rico despojo para o conhecimento da alma humana.  Por longo tempo ainda tenho de me intoxicar de perfumes mágicos a fim de perscrutar os segredos que se ocultam nas profundezas do inconsciente. "

Ao que Freud respondeu: " Sei que é uma legitima inclinação interior que o leva ao estudo do oculto e não duvido que, em seu regresso, o senhor venha coberto de riquezas. Contra isso não há nada a fazer, pois quem obedece à concatenação dos próprios impulsos sempre acerta. A fama já criada por seu Dementia há de mantê-lo por algum tempo impune à pecha de "místico". É bom, porém, que não se demore nas colônias tropicais, pois o senhor tem de governar a casa. " (Correspondência completa de Sigmund Freud e Carl G. Jung - Rio de Janeiro; Imago Edit. 1993)

Em 12 de Junho do mesmo ano, em extensa correspondência, em certo trecho escreve:   Prezado Professor Freud, ...... "minhas noites são, em grande parte, tomadas pela Astrologia.  Faço cálculos, com horóscopos a fim de encontrar pistas que me conduzam ao âmago da verdade psicológica. Há coisas notáveis que certamente não lhe parecerão dignas de crédito.            O cálculo da posição dos astros, no caso de uma senhora, indicou um quadro caracterológico perfeitamente definido, com numerosos detalhes biográficos que, todavia, não se aplicavam a ela, mas à mãe dela, a quem as características assetavam como uma luva. E a senhora em questão, sofre de um extraordinário complexo de mãe".... " Atrevo-me a dizer que a Astrologia se poderá ainda descobrir um dia uma boa parcela de conhecimento que foi intuitivamente projetada nos céus. Há indícios, por exemplo, de que os signos do zodíaco são imagens caracterológicas ou, em outras palavras, símbolos libidinais que representam as qualidades da libido num determinado momento".......   Cordialmente, JUNG

Evidencias da pesquisa desenvolvida por Liz Greene no arquivo particular de seus descendentes e apresentado em parte no Seminário: ASTROLOGIA DE JUNG E A JORNADA PLANETÁRIA DO LIVRO VERMELHO, pode indicar que se deu antes, e que ele tomou aulas por correspondência com Max Hendel, (ex-participante da Sociedade Teosófica, conterrâneo de Rudolf Steiner [criador do movimento Antropósófico] e fundador nos USA de um dos braços do movimento Rosacruz).

Isso pode também explicar a desenvoltura de Jung com esses temas.

"Obviamente, a Astrologia oferece muito para a Psicologia, mas aquilo que esta última pode oferecer à sua irmã mais velha é menos óbvio" Comentário de Carl Jung em The Secret of the Golden Flower

" ...Pessoas, cuja instrução deixa a desejar, acharam que poderiam até hoje, zombar da Astrologia, considerando-a uma pseudociência, há tempos liquidada. A Astrologia vem, ressurgindo das profundezas da alma popular, e apresenta-se hoje, às portas de nossas universidades, que ela deixou há três séculos". Carl Gustav Jung in "Seelenprobleme der Gegenwart" ("Problemas contemporâneos da Alma"), pg. 241

Em carta de dezembro de 1928, JUNG escreve, para L. Oswald, que assistiu sua palestra em Zurique em novembro:  ... você está certíssimo em supor que considero a Astrologia entre aqueles movimentos que, como a Teosofia, procura aplacar uma sede irracional de conhecimento, mas, na verdade, leva-nos a um desvio.  A astrologia está batendo nas portas de nossas universidades: um professor de Tübigen  desenvolve um curso de Astrologia que foi dado na Universidade de Cardiff no ano passado.  Astrologia não é mera superstição e contém alguns fatos psicológicos (como a teosofia), que é de importância considerável.  Em verdade, a astrologia realmente não tem a ver apenas com as estrelas, mas é a psicologia de mais de 5000 anos, da antigüidade e da idade média. Infelizmente não posso explicar ou provar isso em uma carta..... ( JUNG, C.G. - Letters vol 1 1906 - 1950; USA Princeton University Press - 1973).

Para o eminente Astrólogo André Barbault, Jung escreve:  "Existem muitos exemplos de notáveis analogias entre constelações astrológicas e eventos psicológicos ou entre o horóscopo e a disposição geral do caráter. É até mesmo possível prever até certo ponto, o efeito físico de um trânsito astrológico. Podemos esperar, com considerável certeza, que uma determinada situação psicológica bem definida seja acompanhada por uma configuração astrológica análoga. A astrologia consiste de configurações simbólicas do inconsciente coletivo, que é o assunto principal da psicologia; os planetas são deuses, símbolos dos poderes do inconsciente"

Quanto a B.V.Raman, Astrólogo que introduziu a Astrologia Védica no ocidente, ocorre algo curioso. B.V. Raman além de viajar intensamente dando cursos e palestras, publicava um newsletter que era comercializado. Sem saber que Jung era um de seus assinantes, envia um exemplar e pergunta qual a sua opinião sobre astrologia, ao que Jung responde:

" Se você quer saber minha opinião sobre astrologia, eu posso te dizer que tenho me interessado por esta atividade especial da mente humana há mais de 30 anos. Como eu sou um psicólogo, me interesso principalmente pela luz especial que o horóscopo lança em certas complicações do caráter. Em casos de difícil diagnóstico psicológico, eu normalmente obtenho um horóscopo para ter uma perspectiva mais profunda, de um ângulo totalmente diferente. Devo dizer que, muito frequentemente, descobri que os dados astrológicos elucidaram certos pontos que eu, de outra forma, teria sido incapaz de compreender. De tais experiências formei a opinião de que a astrologia é de particular interesse para o psicólogo, uma vez que contém um tipo de experiência psicológica que chamamos projetadas - isso significa que encontramos os fatos psicológicos como se estivessem nas constelações. "   Trecho de uma carta que Carl G. Jung escreveu para o astrólogo hindu, B.V. Raman.

"Ao estudar astrologia, apliquei isso em casos concretos muitas vezes. ... O experimento é mais sugestivo para uma mente versátil, pouco confiável nas mãos do pouco imaginativo e perigoso nas mãos de um tolo, como sempre são esses métodos intuitivos. Se usado de forma inteligente, a experiência é útil nos casos em que é uma questão de estrutura opaca. Muitas vezes, fornece informações surpreendentes. O limite mais definido do experimento é a falta de inteligência e literalidade do observador. ... Sem dúvida, a astrologia hoje está florescendo como nunca antes no passado, mas ainda é explorada de forma insatisfatória apesar do uso muito frequente. É uma ferramenta apropriada somente quando usada de forma inteligente. Não é de todo infeliz e, quando usado por uma mente racional e estreita, é um incômodo definitivo. " - C. G. Jung: Cartas, volume 2, 1951-1961, páginas 463-464, carta a Robert L. Kroon, 15 de novembro de 1958

Anos depois, James Hillman registrou o seguinte depoimento:  "Seu poder emocionalmente atraente me atingiu há cerca de 45 anos em Zurique quando elaborei meu primeiro mapa, embora eu já tivesse aprendido os símbolos e glifos sozinho antes disso.   Tal convicção veio com aquela primeira leitura astrológica. Este interesse permanente, esse fascínio, esse amor nunca me deixou ............. A astrologia forma uma de minhas linguagens básicas para a reflexão psicológica".

Jung declara em certo momento:  "A verdade é que a astrologia floresce como nunca antes. Existe uma biblioteca regular de livros e revistas astrológicas que vendem muito melhor do que os melhores trabalhos científicos. Os europeus e os americanos têm horóscopos lançados para eles que podem ser contados não pelos cem mil, mas pelo milhão. A astrologia é uma indústria florescente. ... se uma percentagem tão grande da população tem uma necessidade insaciável, podemos ter certeza de que a psique coletiva em cada indivíduo tem esse requisito psicológico em grau igualmente alto. Um certo tipo de ceticismo e crítica "científica" em nosso tempo, não é mais que uma compensação equivocada dos poderosos e profundos impulsos supersticiosos da psique coletiva. " - CG. Jung, Dois ensaios sobre psicologia analítica.


De acordo com a biografia desenvolvida por Deirdre Bair sobre Jung, foram as palestras de W. Pauli de 1948 no Clube de Psicologia de Zurique: "A Influência das Idéias Arquetípicas  sobre as Teorias Científicas de Kepler" que levaram Jung a escrever seu trabalho  Synchronicity An Acausal Connecting Principle que incluíram as experiências astrológicas de Jung. As palestras de Pauli e o ensaio de Jung foram originalmente publicados juntos como um livro em 1952 : "The Interpretation of Nature and the Psyche".

No prefácio de seu livro "Sincronicidade", lemos:  " ao realizar este meu trabalho, tive o interesse e o apoio decidido de uma série de ´personalidades que são mencionadas no decorrer do texto. Aqui gostaria de expressar meu particular agradecimento à Dra. L. Frey-Rohn, pela dedicação com que providenciou o material astrológico".  Agosto de 1950.  C.G. JUNG

É também interessante notar que sua filha Bret Baumann-Jung foi proeminente Astróloga na Suíça, tendo colaborado estreitamente com seu pai não só em seu trabalho Sincronicidade, mas também elaborando a partir de certa idade, os mapas dos clientes.

Outro aspecto importante é o desenvolvimento do conceito de arquétipo, aplicado pelo antropólogo Joseph Campbell e compartilhado com Jung.

Em recente palestra proferida por Bob Walter, presidente da Joseph Campbell Foundation, perguntei como se deu o contato entre os dois. Segundo Bob, Joseph Campbell ficou interessado e compareceu ao Círculo de Eranos. O Círculo de Eranos é um marco na história do pensamento humano no que tange a produção científica de textos fenomenológicos e antropológicos. Este seleto grupo de eméritos pesquisadores das áreas da ciência da religião, psicologia, história da religião, mitologia e fenomenologia, se reunia no Lago Maggiore, em Ascona, Suíça. Este círculo de pensadores que se reuniram a partir de 1933, visavam tratar dos estudos promovidos por suas áreas da ciência acerca do tema espiritualidade, um verdadeiro banquete intelectual que reuniu diversas personalidades, dentre elas Carl Gustav Jung, representantes das chamadas Escolas de Psicologia Profunda, História Comparada e da Religião, Epistemologia, Folclore, entre outros.   O círculo também tinha como meta a aproximação epistemológica dos vários ramos do estudo do sagrado.

Joseph Campbell compareceu incógnito como ouvinte, mas logo foi identificado por Emma, esposa de Jung que o convidou para um chá da tarde em sua residência. Jung chega em casa e é apresentado à Joseph e Emma sugere que seria fenomenal uma palestra, contribuição de Joseph Campbell no encontro de Eranos no próximo ano, ao qual Joseph Campbell compareceu então como convidado. Nessas duas oportunidades Campbell e Jung conversaram longamente sobre o que se tornou um dos pilares da psicologia Junguiana

A seguir a título de exemplo, alguns trechos de trabalhos de Jung que empregam diretamente Astrologia.


Em Sincronicidade, lemos: 

" Desde a Antiguidade a correspondência mitológica, astrológica e alquímica tradicional neste sentido é a coniunctio solis et Lunae, a relação amorosa entre Marte  ( E ) e Vênus ( D ), assim como as relações desses astros com o Ascendente e com o Descendente. Esta relação deve ter sido introduzida na tradição, porque o eixo do ascendente foi considerado, desde tempos imemoriais, como tendo uma influência particularmente importante no caráter da personalidade.

  • Por isso seria preciso investigar se há um número maior dos aspectos coincidentes A - B ou E - D nos horóscopos das pessoas casadas do que em relação àqueles não casados".

Em outro trabalho, Jung escreve:

  • Desde o Timeu, de Platão, tem sido costume lembrar que a alma é elemento redondo. Como Anima Mundi, ela gira conjuntamente com a roda do mundo, cujo cubo é o polo. É por isso que aí se acha o coração de Mercúrio, que é, com efeito, a Anima Mundi. À roda do Universo estrelado corresponde o horóscopo, o thema tès genesis, isto é, a divisão do céu em doze casas, divisão esta que é orientada, juntamente com a primeira casa, para ascendente o momento preciso do nascimento. [...] O sentido fundamental do horóscopo consiste em que ele traça, antes de tudo, um quadro da constituição psíquica, e depois, também, da constituição física do indivíduo, sob a forma das posições dos planetas e suas relações (aspectos), bem como da repartição dos zódia pelos diversos pontos cardeais. O horóscopo representa, portanto, sobretudo um sistema de qualidades originais e fundamentais do caráter e, por isso, deve ser tido como o equivalente da psique individual. JUNG, 1934-2013, p. 163-4, § 212

Em seu tratado Aion, seu objetivo é iluminar "A mudança da situação psíquica dentro do" eon cristão ".  O simbolismo zodiacal apoia a sua pesquisa, pois o "eon cristão" e a Era dos Peixes são sinônimos. Em um ponto Jung faz uma declaração abrangente:

"O curso da nossa história religiosa, bem como uma parte essencial do desenvolvimento de nosso psiquismo poderia ter sido previsto de forma mais ou menos precisa, tanto em termos de tempo como de conteúdo, desde a precessão dos equinócios até a constelação de Peixes. "

A "a precessão dos equinócios através da constelação de peixes", faz uso analítico de uma técnica astrológica baseada no simbolismo dos equinócios no pano de fundo do zodíaco, que descreve as grandes idades ou eon da história humana. Jung inspirou a inteligência da astrologia para mexer com sua imaginação e aprofundar sua visão, mas, ao fazê-lo, também valida a arte antiga. 

A Astróloga Maggie Hyde resumiu bem:

"O pensamento de Jung sobre a Era dos Peixes foi seminal para os astrólogos. O trabalho é influente porque revela o simbolismo astrológico em grande escala, trabalhando em uma fronteira entre fatos astronômicos e imaginação subjetiva. A reverência de Jung pelos antigos mistérios trouxe vida aos mitos, permitindo-lhes entusiasmar e hipnotizar. Mas imagens míticas também foram símbolos e metáforas de padrões arquetípicos da experiência humana. Através da articulação de Jung desses padrões, os astrólogos puderam recuperar e comunicar uma expressão mais ampla e profunda de seu próprio trabalho. "

Portanto, a Astrologia foi incorporada ao trabalho de Carl Gustav Jung desde muito cedo e os textos acima sugerem que seu conteúdo eminentemente simbólico, foi importante na compreensão, articulação da abordagem e prática Junguiana. Os conteúdos astrológicos permeiam vários de seus textos e ele conseguiu propor uma ampliação da compreensão do conteúdo e do papel da Astrologia como a mais antiga ferramenta de análise e compreensão da psique e indispensável para todo aquele que se propõe a estudar e compreender a alma humana. 

Deborah Jean Worthington, astróloga e analista em formação pelo IJEP

E-MAIL   debbieworth@outlook.com

Consultórios Alto da Boa Vista e Vila Madalena

fone: (11) 975077988


REFERÊNCIAS:

BAIR, Deirdre - Jung uma biografia Volumes I e II - São Paulo; Globo, 2006

CHEVALIER, Jean - Dicionário de Símbolos

GREENE, Liz - Seminário: JUNGS ASTROLOGY AND THE PLANETARY JOURNEY OF THE RED BOOK; Cornwall, May 2017 and co-hosted by The Faculty of Astrological Studies.

FREUD, Sigmund - A correspondência completa de Sigmund Freud e Carl G. JUNG - William McGuire (organização) - Rio de Janeiro; Imago, 1993JUNG, C.G - Letters Volume I 1906- 1950. Volume II 1951 - 1961 USA; Princeton University - 1973.

JUNG, C.G. - Aion. Petrópolis, Vozes, 2012

JUNG, C.G. - Sincronicidade; Petrópolis. Vozes, 2012

JUNG, Carl Gustav.   WILHELM, Richard. O segredo da for de ouro: um livro de vida chinês. Petrópolis: Vozes, 2012.                                                                                                                      JUNG, Carl Gustav. O espírito na arte e na ciência. Petrópolis: Vozes, 2012.                                      HYDE, Maggie - Jung and Astrology, The Aquarian Press; London: 1992

 

 

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