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O GRANDE "OUTRO"

 

Em consultório, nos deparamos com infindáveis queixas de clientes que não conseguem identificar, no próprio discurso e no dia-a-dia, os fatores intrínsecos aos seus problemas; são exemplificações e relatos do quanto sofrem, por interferência e ação de outras pessoas ou fatores. Reconhecer a própria responsabilidade em tudo, difere de culpar-se por tudo; a autocomiseração e culpa exageradas encobrem o sentido das atitudes que permeiam estes relatos e sentimentos.

Na juventude é comum o medo de viver a vida; na velhice, o medo é de deixá-la; em ambos os casos, a dificuldade é de encontrar o significado da própria existência. Desejos exigem gratificações que podem ser obedecidos impulsivamente ou reprimidos taxativamente, por influências externas ou internas. 

Ambas atitudes produzem arrependimento: a primeira situação, produz culpa pelo excesso; a segunda, traz a inconformidade pelo que não pode ser vivenciado. A solução para este dilema está em conhecer a si mesmo e reconhecer os mecanismos de projeção que atribuem aos outros a responsabilidade pelas próprias decisões, atitudes ou omissões.

Coisas feitas "sem querer" tem origem inconsciente e, o sentimento de culpa, demonstra que a consciência também tem sua participação no processo. Conscientizar-se de que atos proveitosos não tiveram inspiração divina, assim como aqueles passíveis de recriminação, não apresentam causa apenas demoníaca (apesar de poderem estar ligados aos demônios internos de cada pessoa).

Os erros fazem parte do processo de amadurecimento e, culpar aos outros (pai, mãe, cônjuge, filhos, mundo) pelo que ocorre com a própria vida é o modo mais comum de se fazer vítima das circunstâncias e achar "bodes expiatórios" para a própria insuficiência.

Desembaraçar-se da vitimização, assumindo a própria responsabilidade é reconhecer mecanismos inconscientes de defesa e complexos, que conforme Hopcke (2012, pág. 28) "podem ser inconscientes, reprimidos por causa da sensação dolorosa do afeto relacionado ou da inaceitabilidade das representações, mas também podem tornar-se conscientes e, em última análise, parcialmente resolvidos".

Os complexos mobilizam ações e consequências, fazendo parte do processo de individuação, postulado fundamental da obra de Jung, que Hopcke explica como "a tendência da psique de mover-se para a totalidade e o equilíbrio" (idem, pág. 75), "concebido e descrito por Jung como o relacionamento entre o complexo individual do eu e o arquétipo do Si-Mesmo ou da totalidade" (ibidem).  Este relacionamento funcional e contínuo entre os níveis consciente e inconsciente, pode levar a consolidação de um senso de individualidade única. O processo, no entanto, requer muita força de vontade para encarar os aspectos sombrios desconhecidos ou rejeitados, que integram o ser total, resultando na unificação dos opostos dissonantes da personalidade.

Achar sentido ou propósito na vida é fundamental para o desenvolvimento e saúde, assim como a experiência de encontro com a deidade interior (Si-Mesmo ou Self) é caminho que abre o portal para a infinitude.


Referências:

HOPCKE, Robert H. Guia para a Obra Completa de C. G. Jung. Petrópolis, Vozes, 3ª Ed., 2012.

 

 

 

                         Elisa Rejane L. Morandini

                                                 Psicóloga Junguiana em formação pelo IJEP.

Cidade Poços de Caldas fone (35) 988440556

elisa.morandini16@gmail.com

 

 

 

 

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