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Waldemar Magaldi

Carl Gustav Jung

Carl Gustav Jung foi um dos maiores pesquisadores da alma humana no século passado!

A obra de Jung é o registro fiel de sua vida e de suas experiências clínicas, tendo como base o processo empírico relacionando, sempre, aspectos teóricos e práticos.

Jung tenta conceituar, mas  não se ocupa em definir e, com coerência e muita consistência, sua obra atende a todas as necessidades do mundo moderno, inclusive das situações extremas e emergenciais.

Para Jung o processo de individuação vai contribuir para que  tu te tornes aquilo que tu és. Porém, a persona científica, vestida com as roupas da arrogância do saber, nos afasta deste processo, projetando uma enorme sombra, que se expressa através do capitalismo selvagem. Jung diz que a negação do si-mesmo conduz ao consumo desenfreado.

O que Jung busca, com o conceito de individuação, não é a perfeição, mas a realização do ser e a sua plenitude, permitindo o reconhecimento das antinomias e da sombr.

Jung tem demonstrado, ao longo de sua obra, o quanto que é humanista, não essencialista e determinista, sempre acreditando no potencial da criatividade humana e no caráter compensatório e auto-regulador do Self. Jung é um empirista, não dogmático, mas extremamente coerente e fiel a seus princípios, suas idéias, seu paradigma e, enfim com sua doxa.

Jung, apesar de trabalhar com os aspectos retrospectivos e causais do passado, volta seu pensamento na direção prospectiva, buscando o sentido e o entendimento das manifestações, sendo assim muito mais finalista do que os mecanicistas que são retrospectivos, por viverem sempre em  busca das causas passadas para terem o pseudo "poder" de explicar tudo sem entender nada.

Jung esta sempre valorizando a força do diálogo e a arte da hermenêutica, deixando de ser apenas um hábil ouvinte, pois convida seu cliente para ser um parceiro ativo em todo o processo terapêutico.

Jung sabia que, em todas as pessoas, existe um mecanismo criativo contribuindo para que as transformações aconteçam, chamando-o de função transcendente.

Jung, mesmo desprendido do rigor cartesiano concreto, era um grande pesquisador, sem jamais abandonar o respeito pela ciência e pela alma humana, dizendo que as idéias de consciente e de inconsciente nasceram juntas.

Freud via o mito no mesmo complexo nuclear da neurose. Jung, ao contrário,  como funções sadias e positivas da psique, sem se ligarem, necessariamente, a impulsos sexuais ou neuróticos. 

Para Freud, o sentido da vida é a aquisição de conhecimento em busca da perfeição. Para Jung, é a realização do si mesmo, que traz um sentimento de plenitude, que leva à transcendência.

Para Freud, os símbolos são restos reprimidos do passado. Para Jung são os grandes geradores de energia psíquica, que contribuem com a capacidade criativa do homem.

Para Freud, a religião é derivada do complexo de Édipo, paterno ou materno, com a sublimação do instinto sexual. Desta forma, a razão, afasta totalmente o sagrado. Para Jung, é um fenômeno universal, inerente à psique; são grandes sistemas psicoterapêuticos, que favorecem a religação com o arquétipo central, ou si mesmo.

Freud não aceitou as categorias junguianas de inconsciente coletivo, arquétipos, função transcendente, sincronicidade, capacidade simbólica e  criativa da psique, entre outras. Jung tinha um enfoque muito mais voltado para o pensamento prospectivo sintético, sem desconsiderar  o conhecimento redutivo causal, que era à base da análise de Freud, onde se pesquisava a origem do trauma.

 Freud era um homem sem laços com a história, julgando-se inventor de conceitos e que, apesar de sua inteligência extrema, negava o conhecimento filosófico, preferindo ficar só, em sua ilha, para não correr o risco de se "contaminar" com outros pensamentos e ter a certeza de que tudo que produzia era seu. Para impor, sob a forma de dogmas, sua teoria, desconsiderando a antropologia, sociologia e a unicidade.

Jung, ao descrever a Freud um sonho que havia tido, constatou que suas diferenças ficaram muito mais evidentes. A interpretação feita por Freud contribuiu, significativamente, para que a separação acontecesse. Mas, posteriormente, este mesmo sonho, lhe possibilitou o entendimento da psique além de reativar seus interesses pela arqueologia.

Jung encorajava seus alunos em abordar cada  caso com um mínimo de suposições preconcebidas. Dizia, apesar de saber ser utópico e impossível, que o ideal seria não ter nenhuma suposição, e que cada analista encontre os seus próprios caminhos, dizendo:

"... Posso apenas esperar e desejar que ninguém se torne ‘junguiano... Eu não proclamo qualquer doutrina predeterminada, e abomino os ‘partidários cegos. Deixo todas as pessoas livres para lidar com os fatos à sua própria maneira, pois também reclamo essa liberdade para mim"

 Nestas frases percebemos o sentido Teleológico que Jung alimenta sobre a alma humana, sua dinâmica e seus fins.


É significativo citar que na entrada de sua casa Jung colocou em latim os seguintes dizeres: "Chamado ou não chamado, Deus está presente".

 Waldemar Magaldi Filho