A EXPRESSÃO CRIATIVA COMO PROCESSO ALQUÍMICO

A EXPRESSÃO CRIATIVA COMO PROCESSO ALQUÍMICO Psicologia Analítica, Arteterapia, Psicossomática

“(...) a individuação é um processo de criação do mundo”

 (Edward F. Edinger)

Em Psicologia e Alquimia, Jung (2011b) aponta que desde os primórdios daquela arte alguns alquimistas compreendiam o efeito psíquico de seu fazer, considerando ingênuos os "fazedores de ouro" (2011b, p. 46), pois o ouro buscado pelo verdadeiro alquimista não era vulgar, comum.

O Rei é um equivalente da revelação da estrutura psíquica. No rei “reside a força divina da vida e da geração”. O sol, que é símbolo do ouro, é um rei na terra, rei dos metais. Jung afirma que só “se consegue o ouro pela libertação da alma divina ou do pneuma, a partir das cadeias da carne” (idem, pp. 14-15), da matéria, da natureza. A fabricação do ouro, é, assim, uma operação que ocorre paralela ao processo físico e deve ser imaginada como independente dele. Afirma:

A transformação espiritual-moral não é apenas independente do processo físico, mas se apresenta até como a causa efficiens (causa eficiente) dele. A partir disso se explica também a imagem pneumática (espiritual) mais sublime, que mal conviria a um mero processo químico. A psique que antes estava aprisionada nos elementos, e o espírito divino que antes estava revestido da carne, superam as imperfeições físicas e se revestem de um certo modo de uma matéria mais nobre, isto é, do ouro régio. Deste modo, o ouro ‘filosófico’ é uma espécie de representação corpórea da psique e do pneuma, na qual ambos significam algo como espírito de vida’. Na verdade, é um aurum non vulgi (ouro não do vulgo), por assim dizer, um ouro vivo, que sob todos os pontos de vista corresponde ao Lapis (pedra). Este é de fato também um ser vivo, dotado de corpus, anima e spiritus (corpo, alma e espírito), e por isso capaz de ser personificado como um homem ‘excelente, portanto, por exemplo, como um rei, que há longo tempo é considerado como um deus encarnado (JUNG, 2012a, p. 15).

A obra (opus) é um trabalho com a imaginação que capta a realidade interior dos objetos, assim como o fazer artístico é um fazer que busca expressar, pela matéria (corpos, objetos, espaços, luzes, sons), a alma daquilo que é representado. Tanto a alquimia como a arte constituem um processo psíquico (simbólico) e um processo laboratorial. A relação do alquimista com a matéria é de projeção, que não é intencional. Desconhecendo a verdadeira natureza da matéria, o alquimista, projetava seu inconsciente na escuridão daquela, em busca de clareá-la, vivenciando, em última instância, seu inconsciente. Assim o faz o artista, ao criar intuitivamente suas obras. Em uma fase da criação, é o inconsciente que está sendo vivenciado, conduzindo as projeções sobre a concreção da obra. A produção da pedra transcende a razão, o que se dá também com o processo de criação artística. Se "toda tomada de consciência é um ato criador" (JUNG, 2011b, p. 37), podemos entender que o processo de criação pode funcionar como a tomada de consciência do artista daquilo que estava oculto de si, inconsciente, mas operando durante o processo de realização.

Assim como a opus é a base da alquimia, a obra é a base da arte. Ambas constam de uma parte prática (a operatio, o fazer artístico). O processo alquímico é composto de operações, sendo que cada uma delas é associada pela psicologia junguiana, a uma etapa de transformação da psique. A opus alquímica era iniciada pela natureza e demandava arte e esforço de um ser humano consciente para ser completada. O alquimista ajuda a natureza a fazer aquilo que ela não pode fazer por si mesma, descobrindo qual é a matéria prima e transformando-a em Pedra Filosofal.

A obra de arte é, segunda a visão de Luigi Pareyson, fundamentada por sua teleologia interna de êxito que aparece na natureza da tentativa. O guia do artista em processo criativo é a expectativa da descoberta e a esperança do sucesso da obra. A possibilidade do êxito exerce uma atração sobre as operações das quais será o resultado:

E é justamente esta a condição do processo artístico, guiado por uma espécie de antecipação e de pressentimento do êxito, pelo qual a própria obra age antes ainda de existir: se é verdade que a forma existe somente quando o processo está acabado, como resultado de uma atividade que a inventa no próprio ato que a executa, é também verdade que a forma age como formante, antes, por isso, solicitando seus eficazes presságios e dirigindo as suas operações. (PAREYSON, 1989, p. 142).

Esta visão é bastante próxima à ideia que Jung apresenta em O Espírito na arte e na ciência, de que a arte é inata ao artista e “ela dele se apodera, fazendo-o seu instrumento” (JUNG, 1991, pp. 89-90). Para os artistas, trata-se de libertar a arte de uma matéria bruta, descobrindo-a, a partir das operações que ela mesma vai, silenciosamente, ditando, assim como para alguns alquimistas, seu processo tratava de redimir a matéria, libertando dela, o Divino: "Graças à sabedoria e à Arte que adquiriu ou que Deus lhe concedeu, o alquimista libera o 'nous' ou 'logos' criador do mundo, perdidos na matéria do mundo, e isto para a salvação da humanidade.” (JUNG, 2011b, p. 373).

Ou seja, tanto a arte quanto a alquimia operam numa relação com a matéria, a partir de uma “purificação” (a redenção alquímica), de uma “lapidação” (o desenvolvimento da obra, “escondida” na matéria) através da atividade do artifex. Em Anatomia da Psique, Edward Edinger (2006) considera sete operações alquímicas.

A Calcinatio é o aquecimento de um sólido até tirar dele toda a água, restando um pó seco fino. O fogo purgador torna branca a nigredo. No processo psicoterápico, as exigências de poder do ego são frustradas e o indivíduo fica menos identificado com as emoções. A meta psicológica dessa etapa é o desenvolvimento do autocontrole do desejo; é a provação de suportar um afeto intenso, provação que pode ter um efeito purificador, caso o ego se mantenha intacto.

Todo processo artístico parte da transformação de uma matéria, sendo que a técnica está a serviço da depuração. O artista, muitas vezes, abre mão de seu desejo de impor à obra aquilo que pré-concebeu, pois em sua vida própria, ela vai lhe guiando, em direção àquilo que ela mesma deseja ser. A formatividade da obra vai operando no sujeito artístico a evaporação daquilo que ele projeta dele em si, mas não lhe cabe. Pois não é o desejo do criador que conduz o processo, mas o desejo da obra guiado pelo artista que a concebe.

A solutio é a operação alquímica que transforma um sólido em água. A solução é a resolução da dúvida. Na psicoterapia, os aspectos fixos e estáticos da personalidade devem ser dissolvidos para que possam ser transformados, regenerados. A solutio faz surgir uma nova forma, depois de desfazer a antiga e aquilo que está sendo dissolvido pode experimentar este estágio como um aniquilamento. A qualidade psíquica relacionada à solutio é a capacidade de suavizar-se. Do ponto de vista interior, trata-se de integrar ou reunificar os elementos separados e do ponto de vista exterior, trata-se de coletivizar o indivíduo, de estar contido, dissolvido no maior.

No processo artístico, muitas questões têm de ser resolvidas, antes que a obra chegue em sua forma final, sejam elas técnicas ou relacionais. Para que a nova forma (da obra) surja, muitas vezes, formas anteriores devem ser dissolvidas, assim como questões intersubjetivas.  Em geral, é aquilo que diz respeito à obra em si que pode solucionar problemas advindos de questões particulares, sejam dos artistas envolvidos, sejam de ordem técnica. Sendo a obra, maior que o artista, é ela quem pode dar as respostas. Quando os problemas que surgem não dizem respeito à obra em si, mas a desejos pessoais dos envolvidos, é preciso abrir espaço para que a obra possa revelar-se, resolver, dissolver. Quando isso acontece, os elementos separados podem ser unificados na forma ideada.

A coagulatio pertence ao elemento terra e trata-se de um resfriamento que pode tornar sólido um líquido, transformando as coisas em formas fixas, permanentes. Ela vincula o espírito livre e autônomo à realidade, com as limitações das particularidades pessoais. Ela está no corpo, e pode referir-se a um desejo irrefreado, que é tornado consciente. Psicologicamente, pode se dar quando o indivíduo assume a responsabilidade por suas fantasias.

            Edinger (2006, p.113) afirma que “uma vez plenamente coagulado ou encarnado, o conteúdo torna-se sem vida, sem maiores possibilidades de crescimento".

As imagens do sonho e da imaginação ativa coagulam. Elas vinculam o mundo exterior com o mundo interior por meio de imagens análogas ou proporcionais e por isso coagulam o material que vem da alma. Os humores e afetos nos agitam violentamente enquanto não coagulam, formando algo invisível e tangível; quando isso acontece podemos ter com elas uma relação objetiva (EDINGER, 2006, p.118).

As emoções são traduzidas em imagens, possibilitando que a consciência purifique "a terra negra do desejo" (idem, p. 122).

Pode-se dizer que a própria operação de fazer a obra é a coagulação de uma ideia, transformando uma intuição, um insight do artista em forma fixa, concreta, obra de arte. Isto ocorre quando os vínculos entre as materialidades utilizadas são estabelecidos, dando forma particular àquela obra específica. Para concretizar a ideia, no entanto, o artista se depara com a dura realidade, com a resistência da matéria e é preciso que se entregue a seu trabalho (técnico, operativo) para executar a sua criação. No caso do teatro, ensaiar, repetir, refazer, produzir, pois é no confronto com a realidade que solidifica a sua obra. É neste momento que lida com suas limitações, que eventualmente precise se esforçar para superar seus próprios limites. É por meio deste trabalho concreto, que ele torna tangível o que antes era invisível.

            A sublimatio é uma ascensão que nos eleva acima das particularidades concretas da existência terrestre. Ela amplia nossa perspectiva, ao mesmo tempo que nos distancia da vida real, e, portanto, de nossa capacidade de ação sobre aquilo que é percebido. Na sublimatio, ”o espiritual se  eleva do corpóreo, sutilizado, e o puro se separa do impuro” (idem, p. 143). Esta purificação se dá pela separação entre matéria e espírito.

            Edinger (2006, p. 158) refere-se à sublimatio superior como o processo de translação final para a eternidade daquilo que foi criado no tempo. É correspondente à individuação, à transformação da consciência e acesso permanente à psique arquetípica. “Tudo aquilo que evoca nossa natureza melhor, ‘mais elevada’ e, com efeito, toda a moralidade, partilham do conjunto de imagens vinculado com a sublimatio” (idem, p. 162).

No processo artístico, a sublimatio se relaciona com a possibilidade de elevar o espírito daqueles que entrarem em contato com a forma final da obra, ou mesmo, durante o processo de fazê-la, muitas vezes o artista é surpreendido e movido por aquilo que ela vai lhe causando e provocando. É onde reside sua intuição. É o diálogo que estabelece com o espírito. É também aquilo que a obra deixa, através de sua concretude, mas não é concreto, aquela capacidade que a arte tem de elevar o espírito, de nos desligar do tempo-espaço real e de nos transportar para o universo poético ao qual nos convida.

            As operações tidas como sombrias são a mortificatio e a putrefatio, que, no entanto, levam a uma ressurreição, renascimento ou redenção. Correspondem à etapa da nigredo. Em termos alquímicos, aquilo que não se torna negro, não pode atingir a brancura.  É de Paracelso a afirmação de que

A putrefação tem tamanha eficácia que anula a velha natureza, transmuta todas as coisas numa nova natureza, e gera outro fruto novo. Todas as coisas vivas nela morrem, todas as coisas mortas decaem, e depois todas essas coisas mortas recuperam a vida. A putrefação retira toda a acridez de todos os espíritos corrosivos do sal, tornando-os suaves e doces” (PARACELSO apud EDINGER, 2006, p. 167).

            Em termos psicológicos, este negrume equivale à sombra, que é necessário reconhecer. Quando ocorre a consciência do negrume, constela-se o polo contrário. Em geral, o negrume se inicia pela morte de algo (o dragão, que equivale à psique instintiva, por exemplo, quando morto pelo herói). Para que a libido, congelada em formas primitivas, se liberte, é necessário que explosões de afeto, de ressentimento ou de prazer submetam-se à mortificatio.

Refletir sobre a morte pode nos levar a encarar a vida sob a perspectiva da eternidade e, desse modo a negra cabeça da morte pode transformar-se em ouro. Com efeito, a origem e o efeito da consciência parecem estar vinculados de maneira peculiar à experiência da morte (...) nossa mortalidade é nossa fraqueza mais importante e derradeira.  (EDINGER, 2006, p. 185).

Edinger cita a frase em que Jung afirma que a "experiência do Si mesmo sempre é uma derrota para o ego” (JUNG apud EDINGER, 2006, p. 188), esclarecendo que a integração de conteúdos que estavam inconscientes e eram projetados sempre fere o ego, o que, na alquimia, é expresso por meio de símbolos de morte, mutilação, envenenamento.

            A mortificatio, em geral, vem por imposição da vida e não por escolha. Ela pode também ser experimentada, através do drama: “Em alguns casos o drama pode oferecer mais do que uma experiência indireta. Se o momento for propício, pode ter um efeito indutivo e dar início a um autêntico processo de transformação do indivíduo” (Edinger, 2006, p. 189). O mito do herói (combate ao mal, derrota, lamentação, renascimento em outro plano) corresponde à superação do ego para que o Self se manifeste. Sofrimento e derrota da vontade consciente correspondem à operação da mortificatio. Como coloca Edinger (2006, p. 194), “na medida em que abraça continuadamente a morte, o ego constela a vida em profundidade”.

            A mortificatio invoca o sacrifício. No processo artístico, pode se relacionar ao sacrifício de uma ideia, de uma forma, de um modo de proceder que não atende à obra ou que já não cabe mais, mesmo tendo sido propulsor de movimento criativo em um momento anterior. O processo de criação é um processo vivo e algumas de suas etapas ou operações podem ter prazo de validade e não chegarem à materialidade final da obra. Muitas vezes é preciso desapegar-se da criação e mesmo de questões de autoria, para que a obra ganhe vida própria e sua forma corresponda a sua vocação. Também refere-se à etapa em que o novo emerge no processo criativo.

Sendo a prima matéria um composto de componentes indiferenciados, a separatio é aquela que os diferencia, por aquecimento, destilação, evaporação. Os mitos da criação, em geral, têm início pela separação da unidade, muitas vezes representada por um hermafrodita. Dele separa-se um casal, abrindo-se espaço para o resto da criação. A separatio antecede, assim, a criação. Psicologicamente, a separatio pela divisão em dois corresponde à consciência dos contrários, sendo que o primeiro par de opostos da existência consciente é o eu e o não eu. Como coloca Edinger (2006, p. 203): “O espaço para  a existência da consciência surge  entre os opostos, o que significa  que nos tornamos conscientes de ser  capazes de conter e de suportar os opostos em nosso interior” .

            É o processo de diferenciação entre sujeito e objeto que amadurece o ego que está em participation mystique com os mundos interior e exterior. Na alquimia, separa-se também os componentes objetivos e subjetivos da experiência, pois ao separar a terra do fogo, o alquimista está diferenciando o denso do sutil. Para se criar consciência, é preciso diferenciar conteúdos inconscientes. Esta é a operação da separatio.

            A separação entre a alma e o corpo é a morte. Vinculada à mortificatio, a separatio pode ser experimentada como morte. A morte de uma pessoa amada leva à uma crise de individuação pela separatio dos estados de identificação e mesmo de participation mystique. Este processo pode ampliar a percepção do Self, ou conduzir a efeitos regressivos, não sendo incomum o sujeito morrer após uma perda assim. “O objetivo da separatio é alcançar o indivisível, isto é, o indivíduo" (idem, p. 218).

            No processo artístico, a separatio corresponde à atividade intelectual que faz escolhas, associações, diferenciações, organizando o fazer da obra. É o processo pelo qual se desdobram as referências sobre as quais possa se apoiar o artista, os conceitos em que se baseia, os critérios que diferencia, a partir do que o próprio processo vai delineando, ou seja, a partir daquilo que é necessário para aquela obra especificamente. São as operações racionais, conscientes que estruturam as ideias, as inspirações, em sua relação com a materialidade concreta. É através delas que as escolhas se materializam. Edinger coloca que para nos distinguirmos do mal e do feio, é preciso que nos distingamos do bem e do belo (pois se com estes nos identificamos, acabamos por nos apossarmos do mal e do feio). A separatio é uma operação de purificação que antecede a coniunctio.

            A coniunctio é o ponto culminante da opus. É o resultado da união de duas substâncias, formando uma terceira, com distintas propriedades. Edinger (2006, p. 227) nos remete à comum imagem alquímica do sol e da lua entrando na fonte mercurial, que "teve sua origem na dissolução do ouro e da prata no mercúrio”.

            Quando o ego se identifica com conteúdos inconscientes, ocorre uma coniunctio inferior que leva à mortificatio. O mesmo ocorre quando há identificação entre um indivíduo e coletividades, por transferência. Sendo contaminadas, essas identificações devem ser purificadas. Sobre a coniunctio superior, aponta Edinger (2006, p. 231):

O objetivo da opus é a criação de uma entidade miraculosa que recebe vários nomes como ‘Pedra Filosofal’, ‘Nosso Ouro’, ‘Água Penetrante’, ‘Tintura’, etc. Sua produção resulta de uma união final dos opostos purificados e, como combina os opostos, mitiga e retifica toda unilateralidade. Assim, descreve-se a Pedra Filosofal como uma pedra que tem o poder de dar vida a todos os corpos mortais, de purificar todos os corpos corruptos, de amolecer todos os corpos duros e de endurecer todos os corpos moles. Mais uma vez, a Pedra (personificada como a Sapiência Dei) diz sobre si mesma: ‘Eu sou a mediadora dos elementos que faz um concordar com o outro; aquilo que é quente torno frio, e vice-versa; aquilo que é duro torno mole e vice-versa. Sou o final e meu amado é o começo. Sou toda a obra e toda a ciência oculta-se em mim.

Ocorre, a partir da coniunctio, uma alternância entre os opostos, chegando a permitir experimentá-los ao mesmo tempo. Os opostos são condições indispensáveis da vida psíquica, fato que nem sempre é tão simples de ser encarado. 

Artisticamente, a coniunctio é o fim do processo, ou seja, a própria obra, a terceira coisa que surge, a partir da união que a antecede. Ela é aquilo pelo que o artista trabalha e muitas vezes, pelo que vive. É a totalidade do processo. Feito a pedra filosofal, a obra de arte é a matéria vil transformada em matéria nobre e pode ter o poder de operar assim sobre a psique de quem a vivência ou contempla. É a comunhão com o público. É a pedra/obra operando, emanando seus efeitos transformadores, que podem ser captados por aqueles espectadores sensíveis ao conteúdo artístico em questão. Como coloca Paracelso, a tintura só pode operar sobre o corpo que esteja aberto, de acordo com a regra de que o inconsciente assume para com o ego a mesma atitude que este assume para com ele.

 

Luciana barone - Analista Junguiana em Formação pelo IJEP

REFERÊNCIAS

EDINGER, Edward E. Anatomia da psique: o simbolismo alquímico na psicoterapia. Tradução de Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves. 7a. edição. São Paulo: Editora Cultrix, 2006.

JUNG, Carl Gustav. O Espírito na Arte e na Ciência. Tradução de Maria de Moraes Barros. 3a. edição. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991.

____. Mysterium coniunctionis: pesquisas sobre a separação e a composição dos opostos psíquicos na alquimia. vol. 1. Tradução de Valdemar do Amaral. 4a. edição. Petrópolis: RJ: Vozes, 2008.

____. Estudos Alquímicos. Tradução de Dora Mariana R. Ferreira e Maria Luiza Appy. 2a. edição. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2011a.

____. Psicologia e Alquimia. Tradução de Maria Luiza Appy, Margaret Makray e Dora Mariana R. F. da Silva. 5a. edição.  Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2011b.

____.  Mysterium coniunctionis: pesquisas sobre a separação e a composição dos opostos psíquicos na alquimia. vol. 2. Tradução de Valdemar do Amaral. 3a. edição. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012a.

PAREYSON, Luigi. Os problemas da estética. Tradução de Maria Helena Nery Garcez. 2a. Edição. São Paulo: Martins Fontes, 1989.


Luciana Barone - 12/04/2021