AZUL É A COR DA MÃE

AZUL É A COR DA MÃE

O que representa a cor azul para você?

Segundo Chevalier azul é a mais profunda, imaterial, fria e pura das cores, o caminho do infinito, da divagação, tranquilidade e passividade. Separando os deuses dos homens, o azul-celeste representa o feminino. (CHEVALIER, 1906). Conforme Taschen o azul se relaciona com a eternidade, o sobrenatural, a transcendência religiosa. Também representa a frieza, tristeza, profundidade e calma.  (TASCHEN, 2012). Ainda no livro a psicologia das cores, podemos ver tais observações sobre a cor azul: é a cor preferida da maioria das pessoas, independente do sexo. Representa todos os sentimentos bons que não estão sobre o domínio da paixão, principalmente simpatia e harmonia. Também é a cor que mais representa o distante, o frio, o infinito, a fantasia, o divino e a fidelidade, segundo as pesquisas apontadas (HELLER, 2013).

A cor azul, na maior parte das representações, é a cor do manto da Virgem Maria. Da mesma forma, aparece como representação da Orixá Iemanjá, e nas lendas nórdicas podemos observar que a deusa Frigga também é descrita com um manto azul com penas. Uma das faces do arquétipo que essas deusas representam é a maternidade, Jung, em "Os arquétipos e o inconsciente coletivo" provem uma longa lista com representações das imagens arquetípicas de mãe, inclusive citando algumas das deusas em questão. Virgem Maria, segundo as tradições cristãs, gerou Jesus. Iemanjá dentro das lendas Iorubas teve muitos filhos, biológicos e adotivos, inclusive seu nome significa "mãe que os filhos são peixes". E Frigga na mitologia nórdica também teve filhos biológicos e adotivos. Todas se dedicaram a cuidados que a maternagem exige, sincronisticamente, todas envolvem a cor azul em suas representações. O sincretismo entre os mitos das deusas citadas a priori consiste em serem mulheres bonitas, delicadas, piedosas, sensíveis, dedicadas ao cuidar e ao servir, apenas mostrando sua força em momentos pontuais e necessários; de alguma forma, intercedem junto a um masculino por quem as clama.

Em algum dado momento da sociedade atual, determinou-se que azul representaria a cor dos bebês que nascem no sexo biológico masculino. Corroborar esse fato de forma empírica é muito fácil: basta entrar em lojas destinadas a crianças recém-nascidas e lhe é perguntado "é para menina ou para menino?", e em seguida lhe guiam ao lugar com cores especificas do dito sexo.

O que nos leva ao seguinte questionamento: sendo o arquétipo da cor azul uma das várias facetas do feminino, da anima, o que leva a sociedade atual a vestir meninos de azul? Seria uma possível busca por integração?

Alethéia Skowronski Vedovati - Membro Analista em formação pelo IJEP.

Telefone: (44) 99958-4439 / Maringá. E-mail: aletheiavedovati@hotmail.coM

 

Referências:

CHEVALIER, Jean. Dicionário de símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. 31º ed. Rio de Janeiro, 2018.

HELLER, Eva. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo, 2013.

JUNG, C. G. Os Arquétipos e o inconsciente Coletivo. Petrópolis RJ Vozes 2000.

TASCHEN. O livro dos símbolos: reflexões sobre imagens arquetípicas. 2012.


Alethéia Skowronski Vedovati - 28/07/2019