O GAMBITO DA RAINHA – O GUIA NO PORÃO E AS IMAGENS DA ALMA

O Gambito da Rainha – o guia no porão e as imagens da alma Psicologia Junguiana

Elizabeth Harmon é uma criança criada por uma mãe transtornada, ficando mercê de suas flutuações emocionais e do afastamento do pai, proporcionado por ela. Faz lembrar dos “cuidadores instáveis”, de que nos fala Bowlby, e seus efeitos marcantes na afetividade das crianças, podendo gerar confusão, dificuldade de empatia e transtornos de personalidade. A mãe chega ao ponto de tentar matar-se e a ela num acidente de carro, do qual Elizabeth sobrevive fisicamente ilesa.  As últimas palavras da mãe: “feche os olhos”. E, tantas vezes, será no fechar dos olhos que Elizabeth encontrará suas direções. “Quem (ou o que) fere também cura” (KERÉNYI, 2015, p.23)

Elizabeth, então com nove anos, vai parar num orfanato onde as crianças recebem uma cápsula diária de librium (clordiazepóxido), um benzodiazepínico, mesma droga de abuso da mãe. Será no porão do orfanato, aonde vai primeiramente para limpar apagadores, que Beth vai se deparar com a figura fechada e solitária do velho zelador, o Sr. Shailby, a jogar xadrez consigo mesmo. A primeira descida ao porão foi conduzida pelo trivial, as próximas serão intencionais. Beth passa a buscar pretexto para ir até lá e insistir para que o Sr Shailby lhe ensine aquele jogo. Era como um velho espírito que está sempre naquele lugar repetindo o mesmo jogo; de novo e de novo, a espera de alguém que mereça ocupar o outro lado do tabuleiro. Então, talvez aquela energia subterrânea que circulava em si mesma pudesse subir para a superfície da consciência e encontrar seu caminho. Beth observa o jogo várias vezes, as peças, o tabuleiro, os movimentos, pedindo teimosamente uma chance, sempre rispidamente recusada. Sob o efeito do librium, vai reproduzir os movimentos do jogo mentalmente no teto do dormitório à noite. Aprende com as imagens que se projetam pra ela. Quando sabe o suficiente para impressionar o Sr Shailby, o zelador, pasmo, lhe oferece então o acento do lado oposto do tabuleiro. Precisou mostrar que sabia, para merecer aprender. Tantas vezes é preciso que assim seja! Inicialmente seco, objetivo, de uma afetividade calada, o Sr. Shailby reconhecerá naquela pequena menina uma genialidade, lhe ensinando tudo o que pode e lhe abrindo portas para o clube de xadrez local.

"O Velho representa, por um lado, o saber, o conhecimento, a reflexão, a sabedoria, a inteligência e a intuição e, por outro, também qualidades morais como benevolência e solicitude, as quais tornam explícito seu caráter espiritual.” (JUNG. 2016c. §406) Ele se manifesta sempre que “o herói se encontra numa situação desesperadora e sem saída, da qual só pode salvá-lo uma reflexão profunda ou uma ideia feliz, isto é, uma função espiritual” (JUNG. 2016c. §401) e é ele quem “fornece os talismãs mágicos necessários, isto é, a possibilidade inesperada e improvável do êxito peculiar à personalidade unificada no bem e no mal.” (JUNG. 2016c, §404) O “arquétipo do ancião (sábio), uma personificação do sentido e do espírito (...) frequentemente é um carpinteiro ou outro artífice. (JUNG. 2016d. §515)

 

Aos 15 anos, Beth é adotada por um casal do Kentucky.  Terá um pai adotivo hostil, que não a reconhece e que logo abandonará o lar, e uma mãe solitária, alcoólatra e também dependente de librium, mas que a apoiará de coração do jeito que lhe é possível, afinal cada um ama do jeito que lhe é possível, e só se pode mesmo dar de si o que se é.  É 1966 e Beth vai se entregar obsessivamente ao xadrez, sendo sempre destaque impactante nos torneios, única mulher, frequentemente muito jovem, 17 anos, e de carreira meteórica. Ajudará a mãe adotiva podendo ampará-la financeiramente e dando-lhe algum preenchimento na vida, com as viagens para os torneios e participação nas suas conquistas. Beth responderá numa entrevista que o tabuleiro “é o mundo inteiro em apenas 64 casas. Me sinto segura dentro dele. Eu posso controlar, eu posso dominar, é previsível. Aí se eu me machuco, eu só culpo a mim mesma.” Com atitude sempre calculista, Beth vai seguindo a vida planejando cada passo, objetiva, inflexível, solitária, acompanhada pela dependência do librium e pelo consumo de álcool cada vez maior. Em sua escassa vida afetiva, mesmo suas duas primeiras relações sexuais parecem técnicas e indiferentes.  Não sabe o que “deve” sentir. No entanto, quanto mais procuramos colocar a vida nos limites previsíveis, mais a vida se torna imprevisível. Tanto mais o fluxo pulsante, vital, transborda dos estreitos limites do tabuleiro, e a ordem da razão se alterna com o caos afetivo, com sua potência incontrolável, que ameaça tomar tudo para si. A mãe adotiva morre, o pai adotivo aparece acompanhado de advogado para tentar lhe tirar a casa. Beth ainda busca um pai em algum lugar daquele homem mesquinho e medíocre, onde o afeto não funcionaria melhor do que a água contra a casca de uma árvore seca. Ela consegue então comprar dele a casa. Em sua vida de perdas, abandono e dureza, houve um mestre no porão, como um espírito guia, um avô sempre presente nos sonhos distantes, que lhe ensinou o xadrez, o talismã que lhe deu os elementos necessários e fundamentais para a concentração de forças psíquicas e a sobrevivência e realização da sua vida. Beth segue enfrentando a variedade de homens que sentam do outro lado de seu tabuleiro. Sempre visitada pelas imagens da infância e falas da mãe biológica. “Conhecerá homens que quererão te ensinar. Não que sejam mais inteligentes. Em muitos aspectos não são, mas assim se sentem maiores. Mostrarão como fazer as coisas. Deixe-os passar e faça o que você quiser. É preciso ser uma mulher forte para ficar só.” A mãe lhe deu a imagem do masculino, onde estava embutida a percepção dos pais que lhe passaram e dos homens que lhe viriam. Deixou-lhe também a prescrição quanto ao que fazer em relação aos homens: “deixe-os passar. Seja só”. Tanto a mãe biológica, que tinha problemas psiquiátricos, enquanto a mãe adotiva, deprimida e dependente de álcool, eram mulheres fragilizadas e perdidas num mundo de homens, maridos e pais que se vão, que nunca estiveram. Beth faria diferente, porque encontrou um meio de enfrentar os homens do mundo, de derrotá-los em seu próprio meio, de afetá-los, de se fazer presente.

“(...) terão os filhos de carregar o peso da vida que seus pais não viveram, como que forçados a realizar aquilo que eles recalcaram e mantiveram inconsciente.” (JUNG, 2016b, §154).

 No entanto, quando perde para um mestre do jogo, Benny, é a imagem do zelador Shailby que aparece dizendo “você abandona agora”, pois o mesmo velho que ele colocou no jogo também procurou lhe ensinar a sair do jogo. Ele está nela, sempre nela, guiando, com sua firmeza protetora que empurra para o mundo, “o pensamento personificado”, “o velho portador de bom conselho e ajuda”. (JUNG. 2016c.§401) Mas Beth não aceita perder, talvez porque “abandonar” o jogo fosse confirmar o próprio abandono ou porque talvez lhe fosse inadmissível perder ainda mais, além do mais para quaisquer daqueles homens, geralmente mais velhos, como os pais que lhe abandonaram. A imagem do zelador lhe acompanhava, vez por outra, nos momentos devidos, ressurgindo do outro lado do tabuleiro. Ele ainda lhe fala daquele mesmo porão. “Terá o seu momento, mas por quanto tempo? Há muita raiva em você. Precisa ter cuidado.” Em cada abandono ou perda de jogo, embora raros, de novo o abandono e a raiva.

À noite, sob efeito do tranquilizante, inebriada, no orfanato, Beth assistia no teto, as imagens descortinando os jogos, as peças se movendo com autonomia, mostrando as saídas. A mãe adotiva lhe diria mais tarde que, por mais que estudasse, era a intuição que a guiava. O xadrez ora aparece como tentativa obstinada de controle racional e consciente para garantia de vitória e segurança, podendo ser mais ou menos tomado por uma raiva de fundo, secreta, ora lhe é dado pelo inconsciente como imagens de uma ordem interna, de equilíbrio espontâneo dos afetos na beleza harmônica de seu movimento.  Afinal, a serviço de quem está o jogo? Quem em Beth move as peças do tabuleiro e decide seu destino? Quem nela luta pela vitória estudando atentamente o adversário e quem sofre pelas perdas pontuais? “Muitas vezes pergunta o Velho, no conto de fadas: por que, quem, de onde vem, aonde vai, a fim de encaminhar a autorreflexão e favorecer a reunião das forças morais”. (JUNG, 2016c, §404) Dos porões do orfanato, a voz do zelador Shailby continuava a lhe guiar como a voz do espírito; dos porões de sua mente, as imagens do inconsciente lhe organizavam as profundezas como um mapa da alma. As drogas lhe abriram para essas imagens de ordem e, mais tarde, lhe colocaram em total desordem. Beth vai aprender a obter esse acesso sem drogas. Quando perdida em seus excessos de consumo alcoólico, é praticamente salva pelo reencontro com Jolene, a amiga do orfanato, que a leva para o enterro do Sr Shailby. Jolene lhe conduz a um retorno para aquele porão, onde Beth se surpreende com as publicações e fotografias que o zelador guardava acompanhando sua carreira. E é tocada, desaba em choro. Esse retorno ao porão, à origem, ao alinhamento com a expectativa amorosa do avô/espírito guia, parece produzir um grande efeito. Ali estava alguém que nunca lhe abandonou.

 

“(...) Na realidade o Velho representa essa reflexão útil e a concentração das forças mentais e físicas que se realiza espontaneamente no espaço psíquico extraconsciente, quando um pensamento consciente não é possível ou já não o é mais. No que diz respeito à concentração e tensão das forças psíquicas, há sempre algo que se nos afigura como magia.” (Jung. Os arquétipos e o inconsciente coletivo, §402)

 

Elizabeth retoma a direção do espírito, que produz a necessária reunião da energia dispersa e sua concentração direcionada. Talvez uma Elizabeth já não tão movida pela raiva do abandono do pai, mas pelo acolhimento inesperado do “avô” Shailby.

 

Seu ápice será enfrentar o campeão mundial, o russo Borgov. Já havia perdido para ele antes, num torneio no México. Antes da partida chegou a vê-lo de longe, com sua família, num zoológico, aquele homem grande que parecia concentrar tantos aspectos muito bem sedimentados do pai. Beth era o elemento excluído daquela família e de qualquer família. Como seria para uma garotinha chamar a atenção de um pai deus, distante e inabalável, que a olhava do alto da montanha? Como uma menina poderia colocar um rei tão grande em xeque? E, dessa forma, afetá-lo, ou seja, produzir nele afeto! Ela não consegue... Impotente diante do grande pai, Beth conta para a mãe adotiva após a derrota: “Todo o tempo olhava para o rosto dele, não havia dúvida, sem fraqueza, burocrático, sem imaginação...”

“(...) Freud é de opinião que todas as figuras ‘divinas’ têm sua raiz na imagem do pai. (...) Sua imagem possui um poder extraordinário. Ela influencia a vida psíquica da criança de maneira tão forte que convém perguntar se podemos atribuir tal força mágica a um simples ser humano.” (JUNG. 2016a. §728)

  Beth busca revanche contra Borgov em Paris, mas perde novamente. No entanto, mais a frente terá nova oportunidade de enfrentá-lo no grande torneio realizado na Rússia, ápice sonhado de todo jogador de xadrez, ousadia maior e talvez inalcançável. Lá recebe à distância o apoio dos rapazes que derrotou, pois eles se unem para estudar os lances e lhe orientar por telefone no intervalo. Ainda assim Borgov se coloca a frente. E, quando o controle da lógica previdente lhe falha, é nas imagens do teto que Beth é guiada para a vitória. Deixa o local do torneio, recebendo os cumprimentos de Borgov como reconhecimento, bem como diversas congratulações dos que assistiam ao torneio dentro e fora do local. Um ciclo parece ter se encerrado, passando por todos os homens que derrotou e fez passar pela sua vida. Beth chegou ao “grande pai”, ao campeão de todos, aquele que se sentava no trono do mundo, como se todos os outros tivessem sido apenas um caminho para conduzi-la até ele. Ela o afetou, ela teve o seu reconhecimento. Algo se deu no campo do afeto entre ela e a imago do pai. Algo que pareceu pacificá-la. Beth sai andando pelas ruas e vai parar numa área repleta de homens idosos jogando xadrez ao ar livre. É reconhecida e cercada por eles em congratulações. O homem velho que esteve no início da história agora se multiplica em vários indicando o fim da história. E um deles a convida para uma partida. Como um outro Sr. Shailby, que parecia já estar a sua espera.   O espírito a inicia no porão secreto e a congratula no final da jornada.

"Tenho a impressão de que aqueles que vão mais longe no processo de individuação quase sempre passaram por alguma experiência significativa e, na verdade, decisiva, do inconsciente, na infância. A experiência da infância de Jung constitui excelente exemplo disso. Parece ocorrer frequentemente a produção, por parte das inadequações do ambiente de infância ou das dificuldades de adaptação da criança, ou ambas as coisas, de uma solidão e uma insatisfação que fazem a criança retornar a si. Isso equivale a um influxo de libido no inconsciente, que é assim ativado e passa a produzir símbolos e imagens de valor que auxiliam a consolidar a individualidade ameaçada da criança. É frequente o envolvimento de locais secretos ou experiências privadas que a criança sente como exclusivamente suas e que lhe fortalecem o sentimento de valor diante de um ambiente de aparência hostil. Embora não compreendidas conscientemente ou mal compreendidas e consideradas anormais, essas experiências deixam uma sensação de que a identidade pessoal tem uma fonte transpessoal de apoio. Assim, elas podem semear as sementes da gratidão e da devoção à fonte do nosso ser, que só emerge em plena consciência muito mais tarde." (EDINGER,1989, p.383)

A vida lhe trouxe o caos, lhe deu as direções do espírito e o mapa da alma. A vida lhe apresentou as dificuldades e lhe deu os instrumentos para enfrentá-las. O instrumento ou habilidade recebida, o jogo de xadrez, o talismã do velho, ora era apropriado pela via intuitiva ora pela via do pensamento, como instrumento de controle do movimento da vida, a serviço da raiva e da reparação do passado. E foi por essa última via que predominava seu investimento de energia, procurando, em vez de colocar o xadrez a serviço da vida, fazer a vida caber inteira nas sessenta e quatro casas do tabuleiro.

E assim podemos jogar com a vida e com os outros, com os relacionamentos, com os afetos alheios, colocados inadvertidamente do outro lado do tabuleiro, pesando cada movimento para produzir os efeitos desejados: sentirmo-nos queridos, desejados, incluídos, fortes, admirados. Cada movimento produz efeitos e afetos! Tudo depende de quem em nós move as peças e trama as estratégias para manejar os outros de modo a repetir as mesmas velhas e conhecidas experiências afetivas. E derrotar todas as outras. Podemos assim tentar garantir a permanência no porão, no mais fundo de nossas memórias, re-editando os dramas familiares.

Nesse sentido, a vida de Elizabeth Harmon é, enfim, como a vida de todo mundo.  No entanto, o fluxo da vida não cabe no tabuleiro: transborda e transborda anunciando sua natureza viva, autônoma e incontrolável, forçando introversões, retornos ao porão, com sucessivas reorganizações das reminiscências do passado, reorganizando as imagens, até que novos sentidos e significados possam emergir. O porão fornece os meios de permanecer nele e a potência para sair dele.

 Beth foi correspondendo com prontidão ao que estava sendo posto para ela a cada contexto. Recebeu os desígnios da mãe, talvez reforçados pela segunda mãe e se posicionou a partir delas perante as figuras masculinas até o encontro com a imago do pai, se movendo dentro do drama familiar até esgotar sua carga afetiva.  Nesse movimento, fez uma reparação às vidas mal vividas de suas mães, validando a posição feminina num mundo masculino, conquistando respeito e admiração, aquilo que elas jamais tiveram. Certa vez referiu-se a segunda mãe chamando-a de derrotada, enquanto ela, Beth, compensaria esta posição com a de vitoriosa, o que precisava ser todo o tempo. A mãe adotiva lembrou-lhe na ocasião que também ela teve que aprender a perder, afinal toda unilateralidade será compensada. E dessas compensações a mão do destino se encarregou, pois os elementos foram lhe sendo dados, aparecendo oportunamente em seu caminho como experiências interligadas que assim se apresentam para aquele que responde ao chamado, como se fosse conduzida por uma mão invisível, que terminou por levá-la para além do porão, além do passado e da cena familiar, para jogar outro xadrez, ao ar livre, como meio de relação com a vida.

"Quando nós (...) examinamos nossa vida, percebemos que uma mão poderosa nos guia, sem errar, para nosso destino; e nem sempre essa mão é bondosa. Muitas vezes a chamamos mão de Deus ou mão do diabo e expressamos com isso, correta e inconscientemente, um fator psicológico muito importante: a força que modela a vida da psique tem caráter de personalidade autônoma. Em todo caso, é sentida assim, de modo que no linguajar comum, bem como nos tempos antigos, a fonte de semelhantes destinos pareça ser um demônio, um bom ou mau espírito." (JUNG, 2016a. §727)

 

Essa mão invisível parece distribuir pela vida tanto os obstáculos quanto as passagens, tanto as derrotas quanto as vitórias, as provações e os talismãs para enfrentá-las, os enigmas e o caminho para a sua solução, de modo a fornecer todas as notas para que a canção da vida possa ser tocada para aquele que se dispõe para percorrer a partitura.

 

Alexandre Xavier, Analista em Formação pelo IJEP

Analista Didata responsável: Ajax Salvador

 

 

REFERÊNCIAS

 

EDINGER, Edward. Ego e Arquétipo. 4.ed. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 1989.

JUNG, Carl Gustav. Freud e a psicanálise. 4.ed. Petrópolis: Vozes, 2016a.

______ O desenvolvimento da personalidade. 4.ed. Petrópolis: Vozes, 2016b.

______ Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 4.ed. Petrópolis: Vozes, 2016c.

______ Símbolos da transformação. 4.ed. Petrópolis: Vozes, 2016d.

KERÉNYI, Karl. Arquétipos da religião grega. Petrópolis: Vozes, 2015.


Alexandre Xavier - 28/06/2021