A Terra é um pequeno e raro planeta que vem possibilitando a vida biológica dos seres advindos do carbono, habitado por nós, seres humanos, gerados pelo húmus e, por isso mesmo, dependemos dela! Apesar disso, infelizmente, estamos correndo o risco de sermos extintos, porque acabamos criando e aprendendo a conviver com a destruição da camada mais exterior do planeta, impermeabilizando o solo e a atmosfera, além de estimularmos o egoísmo, a violência, a competição, a desigualdade e uma infinidade de iniquidades. Com isso, somos continuamente expostos ao medo, a dor, a tristeza e acabamos nos tornando sofredores, continuamente assustados com a poluição, o aquecimento global, o risco eminente de catástrofes, gerando, em decorrência disso, a desgraça da exclusão social, racial, religiosa, cultural e, a pior de todas, a econômica. Reativa e condicionadamente, essa situação nos leva para o desconforto psíquico, o qual fomos treinados a aliviá-lo por meio do consumo exagerado de todos os tipos de coisas inúteis e de drogas, o que agrava mais ainda a situação, apesar de proporcionar sensação de anestesia momentânea. Mas, simultaneamente, um movimento silencioso, tranquilo e oculto está acontecendo, e certas pessoas estão sendo tomadas por uma dimensão mais elevada, como uma espécie de luz que as desperta e remete para um estado de amor incondicional, consigo mesmas e pelos próximos, com sentimentos de plenitude e fé! Apesar desse atual retrocesso androcêntrico, misógino, machista e territorialista, representado por lideranças de extrema direita que estão surgindo, legitima ou ilegitimamente.


"A partir do dia em que conhece seu primeiro amor, a mulher se transforma. Isso continua a ocorrer por toda a sua vida. O homem passa a noite com a mulher e vai-se embora. Sua vida e o seu corpo são sempre os mesmos. A mulher concebe. Como mãe, ela é uma pessoa diferente da mulher sem filhos. Ela traz o fruto da noite em seu corpo durante nove meses. Alguma coisa se desenvolve. Desenvolve-se em sua vida algo que jamais se vai. ELA É MÃE. É e permanece mãe mesmo que o filho morra, mesmo que lhe morram todos os filhos. Porque, num certo momento, ela trouxe o filho sob o próprio coração. E ele jamais lhe sai do coração. Mesmo quando morre. Tudo isso o homem ignora; ele nada sabe. Ele não sabe a diferença entre o amor e o depois do amor; entre antes e depois da maternidade. Ele nada pode saber. Somente uma mulher pode saber disso e falar sobre isso. Eis porque não queremos que nossos maridos nos digam o que fazer." Jung e Kerényi, Introdução à ciência e mitologia. Eu sou mãe do coração, gestei meu filho por longos anos na alma e no peito. Eu o reconheci em seu corpo aos 9 meses e imediatamente soube que o havia encontrado. O filho que habitara meus sonhos desde a infância estava na minha frente em corpo e espírito. Esta é outra maneira de ser mãe, mas tão intensa e transformadora quanto a maternidade, porque o que conta, no final, é a maternagem; o amor e o cuidado dedicado. E que amor é esse? Impossível explicar, nada, absolutamente nada pode explicar. É a experiência mais arrebatadora, em que seu peito se expande ao infinito e reconhecemos o milagre do Divino. 

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