A ALQUIMIA E A TRANSFORMAÇÃO PSÍQUICA: O OPUS COMO CAMINHO DE INDIVIDUAÇÃO

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16 encontros • 32 horas • Início 11 de agosto de 2026

terças-feiras, 20h às 22h - Término: 24 de novembro de 2026                                                            TextoDescrição gerada automaticamente

 

Este curso é um laboratório de transformação interior onde a teoria junguiana se faz carne e a alma encontra sua própria pedra filosofal. Como Jung escreveu: "A alquimia foi, desde o início, uma corrente subterrânea que corria por baixo do cristianismo dominante, estranha a ele, mas, no entanto, secretamente aparentada" (Psicologia e Alquimia, OC 12 § 26). A proposta é trazer essa corrente à superfície e permitir que ela fecunde a experiência de cada participante.

 

1. APRESENTAÇÃO

Quando C. G. Jung, já sexagenário, debruçou-se sobre os tratados alquímicos medievais e renascentistas, não encontrou apenas fórmulas obscuras para fabricar ouro. Encontrou, com espanto e reconhecimento, o mapa da psique no transcorrer do processo de individuação, representado alegórica e simbolicamente, numa linguagem muito mais rica e arquetípica do que qualquer caso clínico isolado poderia oferecer.

A alquimia, compreendida psicologicamente, é um sistema vivo de imagens que dá contenção simbólica às experiências de dissolução, purificação, morte e renascimento que atravessamos na vida psíquica. O opus alquímico oferece um vocabulário arquetípico para aquilo que, na clínica, chamamos de depressão (nigredo), clareza conquistada (albedo) e retorno vital à existência (rubedo).

Este curso propõe uma imersão teórico-vivencial na alquimia como espelho da psique. Partimos da descoberta junguiana de que os textos alquímicos descrevem, em linguagem simbólica, o processo de individuação – e que seus três princípios fundamentais, a Tria Prima de Paracelso – Sulphur, Mercurius e Sal – são a própria gramática arquetípica da transformação psíquica. Sulphur é o fogo do desejo e do afeto que queima e impulsiona; Mercurius é o espírito paradoxal que dissolve, media e conecta; Sal é a terra que fixa, corporifica e dá limite. Juntos, eles operam em cada complexo, em cada sintoma, em cada sonho – e, sobretudo, em cada etapa do opus.

A justificativa acadêmica reside no fato de que a psicologia analítica reconhece a alquimia como precursora simbólica da compreensão moderna do inconsciente, mas a formação raramente oferece um percurso sistemático e vivencial pelas operações alquímicas. Este curso preenche essa lacuna ao propor uma imersão teórico-vivencial na alquimia como espelho da psique. Não se trata de um curso de história da alquimia, nem de um estudo meramente erudito de símbolos. Trata-se de habitar as imagens – deixar que o fogo, a água, a terra, o ar, a morte simbólica e a união dos opostos encontrem eco na experiência concreta de cada participante.

 

2. OBJETIVOS

Objetivo Geral: Proporcionar uma imersão teórico-vivencial nas operações alquímicas como chaves simbólicas para o processo de individuação, integrando o estudo dos textos clássicos com a prática continuada da imaginação ativa.

Objetivos Específicos:

1. Compreender o conceito junguiano de projeção psíquica e a

Tria Prima:(Sulphur, Mercurius, Sal) como princípios arquetípicos da psique.

2. Distinguir e vivenciar as sete operações alquímicas fundamentais (calcinatio, solutio, coagulatio, sublimatio, mortificatio, separatio, coniunctio) como movimentos da psique.

3. Percorrer o arco cromático do opus – nigredo, albedo, Rubedo – como estágios do desenvolvimento psíquico.

4. Compreender o ritmo de solve et coagula como matriz do nascimento, morte e renascimento psíquico.

5. Desenvolver a prática autônoma da imaginação ativa como método de diálogo consciente com o inconsciente.

6. Identificar, por meio da retirada de projeções, os conteúdos inconscientes manifestos nas relações, nos sintomas e nos sonhos.

7. Reconhecer os perigos da inflação (Aurora Consurgens) e a necessidade do retorno à vida concreta.

 

 3. FACILITADORES:

 "Quando o adepto se interessa pela alquimia, ela também se interessa por ele."

Três analistas junguianos se reúnem não para falar sobre a alquimia, mas para encarná-la diante dos participantes.

José Luiz Balestrini Jr. é o Sulphur — o fogo que queima, o sulfúrico que corrói as defesas, a paixão que desidrata ilusões. É ele quem chega com a pergunta que ninguém quer ouvir, quem aquece a sala até o ponto de virada.

Waldemar Magaldi é o Mercurius — o espírito paradoxal, mensageiro entre mundos, a língua que dança entre o poético e o preciso. É ele quem religa o que a calcinatio separou, quem traduz o fogo em sentido.

Rafael Rodrigues de Souza é o Sal — a terra que fixa, o corpo que sustenta, a paciência impaciente do oleiro. É ele quem garante que a experiência não evapore em abstração, que o opus desça aos ossos e à vida concreta.

Três princípios. Um só vas.

E o complexio oppositorum — o atrito, o humor, o contraponto — é justamente o que produzirá as reações mais vivas do curso. Cada aula será um laboratório onde a alquimia acontecerá na relação entre os três facilitadores e os alunos.

 

EMENTA/ENCONTROS (Ainda em processo de aprimoramento):

 

Encontro 1 — O que é alquimia e por que ela importa psicologicamente: A alquimia como projeção de um drama psíquico sobre a matéria. O opus como representação simbólica da individuação. Visão geral: as sete operações, o arco nigredo-albedo-rubedo, o ritmo solve et coagula. A diferença entre alquimia histórica e psicológica. Por que Jung precisou da alquimia para completar sua psicologia.

Leitura: Jung, Psicologia e Alquimia, caps. I-II.

Exercício: Primeiro contato com imaginação — observação simples de imagens.

Encontro 2 — A prima matéria e a Tria Prima: Sulphur, Mercurius e Sal: A matéria-prima: indiferenciada, caótica, o ápeiron – ilimitado, infinito e indeterminado. O medo da dissolução como primeira resistência. Dessa massa confusa emergem os três princípios paracelsianos: Sulphur — o fogo do desejo, do afeto, da libido que queima e impulsiona; Mercurius duplex — o espírito paradoxal, mensageiro, curador e trickster, que dissolve e religa; Sal — a terra que fixa, cristaliza, dá corpo e limite ao espírito. Como os três operam juntos em todo complexo psíquico.

Leitura: Jung, Mysterium Coniunctionis, cap. I, § 1-42; Jung, "O Espírito Mercúrio";

von Franz, Alquimia.

Exercício: Identificar, na própria prima materia, onde brilha o Sulphur, onde corre o Mercurius e onde cristaliza o Sal.

Encontro 3 — O método da imaginação ativa: Diferença entre fantasiar e dialogar com o inconsciente. A função transcendente como ponte. Os quatro passos do método: esvaziar o ego, deixar a imagem surgir, dar forma, integrar eticamente. Perigos: inflação, possessão, confusão com psicose. A Tria Prima na prática: Sulphur como impulso inicial, Mercurius como mediador do diálogo, Sal como disciplina da forma escrita.

Leitura: Jung, A Função Transcendente; von Franz, Alquimia, caps. iniciais. Exercício: Diálogo escrito completo com uma figura interior.

Encontro 4 — Calcinatio — O Fogo (Sulphur em ação): A operação do fogo: queima, intensificação da libido. O Sulphur como princípio combustível — a frustração, o afeto ardente, a paixão que consome. O ignis noster (fogo filosófico) como libido dirigida conscientemente.

Leitura: Jung, Mysterium Coniunctionis, cap. III;

Edinger, Anatomia da Psique.

Exercício: Imaginar/dialogar com uma imagem de fogo ou algo que está "queimando" no momento atual.

Encontro 5 — Solutio — A Água (Mercurius que dissolve): A solutio como raiz da alquimia. Dissolver o sólido, amolecer o rígido. A água como símbolo do inconsciente. O afogamento do rei (princípio dominante). O Mercurius em sua face dissolvente: o espírito que desmancha certezas.

Leitura: Edinger, Anatomia da Psique; Jung, A Psicologia da Transferência, imagens I-IV.

Exercício: Imagem da água — imersão, dissolução. O que precisa amolecer?

Encontro 6 — Coagulatio — A Terra (Sal que fixa): Dar forma fixa, concretizar, ligar um conteúdo ao ego. O Sal como princípio de corporificação — a paciência do oleiro, o corpo que dói, o sintoma que cristaliza. A encarnação de um conteúdo antes volátil.

Leitura: Anatomia da Psique; Jung, O Segredo da Flor de Ouro.

Exercício: Dar forma concreta a algo que vinha sendo apenas ideia ou fantasia.

Encontro 7 — Sublimatio — O Ar (Mercurius que eleva): A elevação, a volatilização, o ganho de perspectiva. O Mercurius em sua face ascensional: ver de cima, nomear, conceitualizar. Imagens de escadas, montanhas, voo. O risco da fuga abstrata.

Leitura: Edinger, Anatomia da Psique; Jung, Aion, cap. sobre o Si-mesmo.

Exercício: Imagem ascensional — subir e observar de cima um problema atual.

Encontro 8 — Síntese das quatro operações elementais: Revisão integrada de fogo/água/terra/ar. Solve et coagula como ritmo fundamental. Como as operações se sobrepõem e alternam na vida psíquica. A rota (roda) alquímica. A Tria Prima revisitada: Sulphur calcinans, Mercurius solvens et sublimans, Sal coagulans.

Leitura: von Franz, Alquimia, caps. finais; Jung, Psicologia e Alquimia, cap. III.

Exercício: Revisitar uma imagem das aulas anteriores e deixá-la transformar-se espontaneamente.

Encontro 9 — Mortificatio — A Morte e a Nigredo: A operação sombria: putrefactio, apodrecimento, escurecimento. O encontro com o dragão. A morte do rei — do princípio dominante da consciência. Sofrimento como parte necessária do opus. Sem morte, não há renascimento.

Leitura: Edinger, Anatomia da Psique; Jung, Mysterium Coniunctionis, cap. IV.

Exercício: Aproximação cuidadosa de uma imagem de morte ou fim interno.

Encontro 10 — Separatio — A Discriminação: Separar os opostos, distinguir o que estava fundido. A retirada de projeções: o artifex e a soror mystica libertando a alma do corpo. A análise como separatio. Discriminação entre ego e Si-mesmo.

Leitura: Anatomia da Psique; Jung, A Psicologia da Transferência, imagens V-VIII.

Exercício: Discriminar elementos misturados num conflito — o que é meu, o que é projetado?

Encontro 11 — A Nigredo e o Lavar Repetido: A passagem do nigredo ao albedo descrita inúmeras vezes. A ablutio repetida — lavar e lavar de novo. As repetições na análise: por que recaímos? O Mercurius que sempre retorna com nova mensagem.

Leitura: Jung, Mysterium Coniunctionis, cap. V; trechos do Rosarium Philosophorum.

Exercício: Trabalhar uma projeção recorrente — o padrão que ainda não foi lavado.

Encontro 12 — Albedo — A Brancura e a Paz: A chegada do estado branco: objetividade, desprendimento, serenidade. A cauda pavonis. O albedo como conquista de clareza interior — não permanente, mas renovável. O Sal purificado, o Sulphur apaziguado, o Mercurius em repouso.

Leitura: Edinger, Anatomia da Psique; Jung, Mysterium Coniunctionis, cap. VI.

Exercício: Contemplar a partir do topo da montanha — um problema visto com serenidade.

Encontro 13 — A Soberba e a Aurora (Aurora Consurgens): O perigo da inflação após a grande experiência. A soberba do iluminado — identificar-se com o Si-mesmo. A Aurora Consurgens como advertência. O retorno à sobriedade. O humor como antídoto.

Leitura: Aurora Consurgens (atrib. Tomás de Aquino); Jung, Mysterium Coniunctionis, § 560-580.

Exercício: Dialogar com a figura do "grande homem interno" — a parte que corre o risco de inflar.

Encontro 14 — Rubedo — O Sangue e o Retorno à Vida: O avermelhamento. Só o sangue reanima o albedo abstrato. A integração plenamente humana — viver em vez de seguir analisando. O retorno ao corpo, aos afetos, à vida concreta. O Sulphur redimido — não mais fogo que consome, mas calor que vivifica.

Leitura: Anatomia da Psique; Jung, Mysterium Coniunctionis, cap. VII.

Exercício: Identificar onde a vida pede ação concreta, em vez de mais análise.

Encontro 15 — Coniunctio — A União dos Opostos: O casamento do rei e da rainha. A coniunctio como símbolo da totalidade. A reconciliação dos três: Sulphur e Sal unidos pelo Mercurius — desejo e limite encontrando mediação. O hierosgamos na vida relacional e intrapsíquica.

Leitura: Jung, A Psicologia da Transferência, imagens IX-X; Mysterium Coniunctionis, cap. VII.

Exercício: Imagem de união — dois opostos que buscam o encontro.

Encontro 16 — Síntese, a Pedra Filosofal e o Caminho Adiante: O opus como ciclo, não linha reta. A Pedra Filosofal (lapis philosophorum) como símbolo do Si-mesmo realizado — onde Sulphur, Mercurius e Sal já não se separam. A multiplicatio — o efeito que se irradia.

Leitura: Jung, Psicologia e Alquimia, conclusão; Mysterium Coniunctionis, § 791-796.

Exercício: Encontro com a própria opus — carta para si mesmo sobre o que o curso despertou.

TextoDescrição gerada automaticamente

Informações Gerais

  • Início: 11 de agosto de 2026;

  • Formato: On-line e ao vivo (Plataforma Zoom);

  • Encontros: Terças-feiras, das 20h às 22h.

  • Datas:

    • Agosto: 11, 18, 25;

    • Setembro: 01, 08, 15, 22 e 29;

    • Outubro: 06, 13, 20 e 27;

    • Novembro: 03, 10 e 17; 24 

  • Carga Horária: 16 encontros (Certificação de 32h/a)

  • Público-Alvo: Exclusivo para ex-alunos ou alunos do IJEP (incluindo o Curso de Introdução), preferencialmente aos Membros Analistas em Formação.

Investimento:

  • Inscrição: R$ 350,00 + 3 parcelas de R$ 350,00 (setembro, outubro e novembro).

  • Benefício: Membros Analistas em Formação do IJEP gozam de 10% de desconto.

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